O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que quer “pagar para ver” os aliados de Flávio Bolsonaro votarem contra a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O petista se reuniu nesta terça-feira (6) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar destravar o andamento da proposta, mas terá de esperar primeiro a realização dos debates antes da votação do mérito. Flávio aposta em alianças e Lula prepara mudança de estratégia para o segundo turno Mendonça determina remoção de posts falsos sobre Lula ter jogado a bandeira do Brasil no chão O governo tem pressa para aprovar o texto antes do segundo turno. Guimarães foi defender a necessidade de encurtar o calendário de tramitação, mas Alcolumbre, por outro lado, recebe pressões da oposição para segurar a votação e no momento o texto entra apenas em debate. Em meio ao resultado da eleição, que apontou vitória de partidos da direita, especialmente do PL, a aprovação da medida é incerta. A oposição, fortalecida após as eleições, tem propostas alternativas, como uma que estabelece a negociação por horas trabalhadas entre o patrão e os empregados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve, no entanto, o calendário de sessões para discutir a PEC. Serão três sessões nesta semana, nesta terça, quarta e na quinta-feira. As sessões, no entanto, são semipresenciais, e correm o risco de esvaziamento. José Guimarães, no entanto, disse que o governo está mobilizado para aprovar o texto e desafiou aliados de Flávio Bolsonaro, mesmo com um posicionamento aberto do PL contra o texto, a rejeitarem a PEC na votação. “É o debate que nós vamos fazer durante toda a semana. Eu penso que vai ser o grande debate que o Brasil precisa conhecer a posição de todos os senadores. O Brasil precisa dessa matéria, os trabalhadores precisam de uma rondinha de descanso. Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu tô pagando pra ver esse atitude que eles poderão tomar”, desafiou o ministro.
A matéria foi aprovada em setembro na Comissão de Constituição e Justiça e precisa passar por cinco sessões de debates no plenário antes de ser votada em primeiro turno. A ideia do governo é garantir a realização dessas sessões para depois pressionar pela votação do texto. Existe a possibilidade ainda da aprovação de um calendário especial, para reduzir o número mínimo de sessões, mas a base do governo vê essa possibilidade como remota. Já a oposição entende que não há clima para a votação no momento, que o debate até pode ser realizado, mas que a votação não tem condições de ser feita antes do segundo turno. Para a PEC ser aprovada, são necessários pelo menos 49 votos em dois turnos de votação. A PEC foi relatada na CCJ pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), que segue envolvido nas eleições, já que vai para o segundo turno na disputa pelo governo do estado. A matéria estabelece dois dias de repouso, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. O texto da Câmara dos Deputados recebeu 36 emendas na CCJ, mas todas foram rejeitadas pela comissão, numa tentativa de acelerar a tramitação e evitar que qualquer alteração obrigue a PEC a voltar para votação na Câmara dos Deputados.
CBN