Ministro da Fazenda informa que governo estuda impor limite para dívidas com bets

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia impor um limite para dívidas com apostas esportivas, informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (dia 7). A proposta surge como contrapartida às medidas adotadas pelo governo para combater o endividamento das famílias brasileiras.

Durigan se reuniu com a bancada do PT na Câmara em uma conversa que, segundo ele, foi para definir como fazer chegar à população a percepção de que há uma boa situação econômica no país atualmente.

De acordo com o ministro, isso passa por propostas para mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o setor de combustíveis no Brasil, e medidas para reduzir o endividamento dos brasileiros. Neste âmbito, o governo estuda definir um limite para o endividamento com as chamadas bets de famílias que usarem linhas de crédito que serão criadas.

— Vai ter mais de uma linha, seja para família, seja para o trabalhador informal, seja para o MEI, para que a gente consiga perfilar e oferecer uma condição melhor para essas pessoas. Como contrapartida, o que a gente vem discutindo muito é que a gente limite o posterior endividamento dessas pessoas, com por exemplo, bets, com apostas digitais — disse Durigan, na saída da reunião.

O governo procura medidas para reduzir o endividamento das famílias, que se tornou uma preocupação de Lula nas últimas semanas. O diagnóstico é que o problema tem prejudicado a popularidade do governo a seis meses da eleição.

Na manhã desta terça, Lula se reuniu com ministros para discutir as medidas. O plano em discussão no governo e com bancos é ter, dentro de poucos dias, um novo programa de renegociação de dívidas em atraso, uma versão simplificada e de menor duração do Desenrola, focada nas modalidades mais caras do mercado: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

O governo discute ao menos dois focos de ação prioritária: população de baixa renda com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, que seriam estimuladas a renegociar seus débitos em uma espécie de novo Desenrola; e pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda com o pagamento de parcelas de dívidas que seriam estimuladas a migrar de linhas de crédito caras para mais baratas.

O ministro da Fazenda disse que, nesta reunião, foi apresentado ao presidente um primeiro desenho de como esse programa funcionaria.

— Isso ainda vai ser discutido, levado e considerado ao presidente nos próximos dias — completou.

Durigan adiantou à colunista do Globo Míriam Leitão que busca descontos de até 80% na dívida com refinanciamento do restante. Ainda está em discussão se será imposta um teto para a taxa dos novos contratos, mas essa é a tendência, dizem executivos do setor financeiro, diante de garantias que devem ser dadas pelo governo.