Denúncias de assédio eleitoral, envolvendo ameaças de demissão, não contratação de profissionais e boicote a estabelecimentos com base no posicionamento político cresceram de forma significativa nos últimos dias. O Ministério Público do Trabalho informou que, das 23h59 de domingo 25, dia da eleição, até o início da manhã desta quarta-feira (28), foram registradas 608 novas denúncias no país.
Ao todo, o número de denúncias de assédio eleitoral soma 2.545 no Brasil desde o início da eleição. De acordo com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG), só em Minas Gerais foram 35 denúncias, nos últimos dois dias.
Considerando o total de denúncias no país, São Paulo lidera, com 463 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 247, e Paraná, com 239. Entre os casos que chegaram ao MPT-MG após a eleição e que já estão sendo investigados, há uma denúncia de prática discriminatória relacionada ao acesso ao emprego e à contratação de prestadores de serviços por convicção política.
Há registros de mensagens publicadas nas redes sociais incentivando a não contratação de trabalhadores que escolheram votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há uma outra denúncia que relata demissões por posicionamento político, informou o órgão.
"O Ministério Público do Trabalho está realizando o reforço da sua campanha do enfrentamento ao assédio eleitoral em razão desse período de pós-eleição, porque temos recebido muitas denúncias de ameaças, incitamento a dispensas retaliatórias de trabalhadores em razão das suas opções políticas.
A retaliação, ela é classicamente considerada uma espécie de assédio eleitoral, isso vem acontecendo desde pleitos eleitorais anteriores, o que é novidade é o volume dessas práticas que a gente tem constatado desde o término das eleições. Realmente, é um volume considerável, mas o Ministério Público do Trabalho está pronto para atuar em relação a essas retaliações, afirmou a procuradora regional do Trabalho do MPT, Luciana Marques Coutinho.
Entre os casos que chegaram ao MPT-MG nesses dois dias e que já estão sendo investigados, segundo Coutinho, está uma denúncia de prática discriminatória relacionada ao acesso ao emprego e à contratação de prestadores de serviços por motivo de convicção política. Mensagens publicadas nas redes sociais, com enorme alcance, incentivam a não contratação de trabalhadores que escolheram o candidato que venceu.
Uma outra denúncia relata demissões por posicionamento político. Nesta quarta-feira, a equipe jurídica do PT de Minas Gerais enviou ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público do Trabalho uma representação para que sejam investigados empresários que publicaram no Instagram perfis expondo listas de empresas, comerciantes, profissionais e trabalhadores identificados como eleitores ou apoiadores do presidente eleito, pedindo o boicote aos estabelecimentos e prestadores de serviço.
As mensagens também incentivam empregadores a demitir ou a não contratar trabalhadores que votaram em Lula para presidente. Os perfis citados são @ordembrasil, @quemapoiaquem.reserva, @quem_apoia_quem_betim, @quemapoiaquem.moc, @brunoaudibraz.
Há suspeita que estejam ligados ao site quemapoiaquem.com.br. O partido pede a instauração de inquérito civil ou criminal para apurar os fatos, adoção de medidas para que a Meta suspenda os perfis e o ajuizamento de ação pública para julgar os responsáveis por dano moral coletivo.
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