Ministério dá novo passo na busca por investimento sustentável

Ministério dá novo passo na busca por investimento sustentável - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Débora Freire: “Estamos incluindo um novo critério, que é para redução de desigualdades regionais e territoriais” Washington Costa/MF O Ministério da Fazenda dá mais um passo para colocar o Brasil na dianteira dos países em busca de investimentos sustentáveis. A pasta lança esta semana a segunda etapa da Taxonomia Sustentável Brasileira com novos objetivos ambientais e sociais que englobam biodiversidade, economia circular e redução das desigualdades regionais e territoriais do país. Taxonomia é uma espécie de dicionário que classifica atividades econômicas por critérios socioambientais. A ideia é que estabeleça padrões de referência para o país que possam nortear investidores externos e domésticos. Não só é uma ferramenta que direciona o investimento para que as economias possam se descarbonizar, mas é uma política industrial e um mecanismo a ser usado no comércio global. “Trata-se de um instrumento importante para orientar os investimentos sustentáveis com base técnica e científica”, diz Débora Freire, secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda. “E também para que se evite greenwashing na agenda de sustentabilidade e para que se possa colher os melhores resultados na busca global por capital para investimentos sustentáveis”, continua. A iniciativa começou em 2023 com a discussão do processo entre técnicos de ministérios e de reguladores do sistema financeiro como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Em outubro de 2025 foi lançada a primeira edição com 14 cadernos, 880 páginas e 300 atividades econômicas classificadas. “De lá para cá nós temos avançado tanto nas discussões sobre o que se pretende para a implementação, quanto nas discussões de novos critérios para a avaliação das atividades”, afirma Matias Cardomingo, subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda. A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) é um sistema de classificação com base científica e que define quais atividades, ativos e projetos contribuem para objetivos climáticos, ambientais e sociais. Nem todas as atividades consideradas prioritárias para a sustentabilidade têm um paralelo nas classificações do IBGE. O instituto, por exemplo, tem uma atividade para geração de energia elétrica. “Se esta energia vem do carvão ou da energia eólica, entra no mesmo código. Por isso, quando fazemos a descrição de critérios para avaliação das atividades que queremos incluir na taxonomia pode dar alguma diferença com as atividades que o IBGE reconhece oficialmente”, explica Cardomingo. Atualmente no mundo existem mais de 60 taxonomias já publicadas ou em desenvolvimento, mas só oito trabalham com critérios para a biodiversidade. Apenas cinco incluem critérios para a economia circular. “Por isso dizemos que não só estamos olhando para as nossas maiores oportunidades, principalmente com relação à biodiversidade, como definindo critérios que o mundo ainda está começando a trabalhar”, diz a secretária. “O Brasil já tinha sido o primeiro a apresentar um critério com foco na redução de desigualdades raciais. Agora estamos incluindo um novo critério, que é para redução de desigualdades regionais e territoriais”, continua Débora Freire. Temos avançado tanto nas discussões sobre o que se pretende para a implementação, quanto nas discussões de novos critérios” Isso quer dizer que, para ser considerado sustentável, determinada atividade ou projeto precisa ser desenvolvido em um território considerado prioritário, como o ocupado por uma comunidade tradicional, por exemplo. Depois, o projeto passa por outros crivos: se tem participação da comunidade local, se tem governança participativa, se trará benefício econômico ou ampliará os bens e serviços oferecidos na região, por exemplo. “Tentamos, através desses passos de identificação criar uma maneira de, por exemplo, classificar aquilo que hoje os bancos constroem como microcrédito para populações periféricas”, cita Cardomingo. “É bem importante essa dimensão social que a taxonomia brasileira traz. Muitas vezes a agenda de transição energética tem foco no verde, que é muito importante, mas o Plano de Transformação Ecológica quer ampliar o conceito de sustentabilidade. Não é apenas verde, mas também social”, reforça a secretária. Na nova consulta pública há setores econômicos que não estavam incluídos na edição anterior. Em biodiversidade, por exemplo, foi incluída a bioindústria, segundo o que existe na Política Nacional de Bioeconomia, como a bioindústria. A taxonomia incluiu “resina de plástico de base biológica”. “Isso é algo que não tem necessariamente uma classificação para objetivos climáticos., mas para a biodiversidade, é uma atividade importante, porque o manejo do insumo biológico é o diferencial do plástico”, diz Cardomingo. Outro exemplo, na economia circular, a intenção é definir por exemplo, que na demolição de edifícios, materiais sejam reaproveitados em outras obras. Se um projeto busca financiamento sustentável, ele deverá demonstrar a forma como se faz o manejo dos resíduos. Oferece “uma linguagem comum para investidores, empresas, instituições financeiras e governo, dá mais transparência ao mercado e ajuda a direcionar recursos para a transformação ecológica do país”, diz o texto da consulta pública que a Fazenda abriu na sexta-feira (16). A intenção da consulta é receber contribuições do setor privado, sociedade civil, sistema financeiro, academia. São cadernos setoriais de oito setores econômicos com critérios para três objetivos ambientais - biodiversidade, uso sustentável do solo e economia circular. Além disso, há um caderno temático relacionado ao objetivo social de enfrentamento às desigualdades regionais e territoriais e um caderno metodológico. Na terça-feira (20), o Ministério da Fazenda faz um evento em Brasília um evento apresentando os novos conteúdos da TSB.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Valor