O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira que detectou um caso da doença de Newcastle numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A doença, que é grave para aves mas que raramente acomete os humanos (provocando, nesses casos, apenas uma conjuntivite leve), levou ao fechamento da unidade. Também foi suspensa qualquer movimentação de aves. O Ministério da Agricultura ressaltou, em nota, que "o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações". As ações das empresas do setor de processamento de carnes caíram após a notícia. A JBS recuou até 2% em Nova York, enquanto a MBRF registrou queda de até 6%. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que acomete aves domésticas e silvestres, afetando os sistemas respiratório, nervoso e digestivo dos animais. A ocorrência em Santa Catarina não apresenta manifestação clínica. Ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. A detecção de um caso no Brasil pode afetar as produção de aves do país, que é o maior exportador de frango do mundo. Em ocorrências anteriores, grandes importadores suspenderam suas compras. Foi o que ocorreu, por exemplo, em 2024, quando China e União Europeia cancelaram temporariamente compras do Brasil após um caso de Newcastle no Rio Grande do Sul.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), juntamente com entidades catarinenses do setor — a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) — afirmou em comunicado que não há riscos associados ao consumo do produto. "Essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo", disseram as associações em nota. Santa Catarina é o segundo maior estado fornecedor de carne de frango do Brasil, respondendo por aproximadamente 23% do total das exportações brasileiras do produto entre janeiro e setembro deste ano.
O Globo