Os militares dos Estados Unidos concederam à SpaceX, de Elon Musk, o acesso a dados restritos de rastreamento de satélites e detritos espaciais. O acesso a dados mais precisos para prever colisões em órbita gerou receio no setor de que a SpaceX ganhe vantagem sobre concorrentes e amplie seu controle sobre os serviços de monitoramento espacial.
O acordo foi firmado com a Força Espacial norte-americana e prevê uma contrapartida. A SpaceX fornecerá informações de seu sistema de monitoramento espacial Stargaze, que utiliza câmeras instaladas nos satélites Starlink para monitorar objetos em órbita.
Os dados militares podem complementar essas observações, sobretudo no rastreamento de objetos menores. As informações disponibilizadas incluem registros de posição e trajetória, acompanhados de estimativas de incerteza que ajudam a calcular riscos de colisão.
Elas são produzidas a partir de uma rede de sensores, radares e telescópios. Embora não sejam classificadas como secretas, têm acesso controlado, pois podem revelar capacidades e limitações dos sistemas militares.
Em declaração ao Breaking Defense, a Força Espacial afirmou que negocia com várias empresas em troca de dados comerciais por acesso a partes de seu catálogo de alta precisão, quando há benefício para o governo norte-americano. A iniciativa ocorre em meio a dúvidas sobre o futuro do TraCSS, programa do Departamento de Comércio criado para assumir dos militares os serviços de segurança do tráfego espacial voltados a operadores civis e comerciais.
Segundo o The Guardian, o Departamento de Eficiência Governamental (Doge), comandado por Elon Musk, demitiu parte da equipe em 2025. O governo Trump também tentou reduzir drasticamente o orçamento do programa duas vezes, mas o Congresso restabeleceu os recursos.
De acordo com o jornal, essas ações foram interpretadas no setor como uma tentativa de Musk de privatizar a coordenação do tráfego espacial. O acesso da SpaceX aos dados militares reforçou o receio de que a empresa ganhe vantagem sobre concorrentes que oferecem serviços de monitoramento de objetos em órbita.
Para Cole Donovan, ex-funcionário do TraCSS e integrante da organização Stand Up for Science, o acordo pode transformar a SpaceX na principal referência para a coordenação do tráfego espacial nos Estados Unidos. A preocupação é que o acesso a informações restritas reforce a posição de uma empresa que já tem forte presença nos lançamentos e na operação de satélites.
Um ex-funcionário da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, ouvido sob anonimato pelo jornal, apresentou outra avaliação. Ele afirmou que a SpaceX tem respondido às preocupações com segurança espacial e atribuiu ao governo a responsabilidade por não estabelecer regras claras, transparentes e equilibradas para todos os operadores.
A SpaceX e a Força Espacial não responderam aos pedidos de comentário do The Guardian. Mais Lidas
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