Michelle diz que aguarda posição da PGR sobre pedidos de exame de Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse nesta terça-feira que aguarda a posição da Procuradoria-Geral da República sobre um pedido para que o ex-presidente Jair Bolsonaro passe por exames.
Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou que "não há nenhuma necessidade de remoção imediata" do ex-presidente da Superintendência da Polícia Federal (PF), após ele bater a cabeça em uma queda.
Moraes solicitou a apresentação do laudo médico do atendimento realizado pela PF e a indicação, pela defesa, de quais exames pretende fazer, para avaliar se os procedimentos podem ser feitos na própria superintendência.
— Nós fizemos novamente (o pedido de exame), estava no hospital aguardando ele. Nós ficamos quase três horas no estacionamento (do hospital), retornamos para cá (PF) e vimos que ele (Moraes) encaminhou essa petição para a PGR. Então a saúde e a vida do meu marido está nas mãos da PGR — disse Michelle ao sair da superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Bolsonaro está preso por ter liderado uma trama golpista.
A defesa de Bolsonaro presentou um pedido médico solicitando a realização de tomografia e ressonância magnética do crânio e de um eletroencefalograma, exame que analisa a atividade do cérebro.
— Ele está um pouco grogue por conta da medicação. Nós solicitamos que ele fosse para o hospital fazer os exames, a gente não sabe quanto tempo ele ficou desacordado. Ele não lembra de nada e a gente queria saber se ele teve algum trauma, se ele teve algum problema neurológico — também disse Michelle.
O GLOBO apurou que existe um protocolo de urgência que não foi acionado por Bolsonaro. Conforme fontes da PF, o ex-presidente continuou no quarto após se machucar, sem avisar ninguém.
Pela manhã, ao entrar no local, policiais penais viram um machucado na testa, mas Bolsonaro falou que não era nada. O ex-presidente contou aos servidores que caiu da cama, mas que estava tudo bem e que não precisava de ajuda.
Mais cedo, os advogados de Bolsonaro tinham solicitado autorização para que ele fosse levado ao hospital, para a realização de exames clínicos e de imagem.
Em resposta, Moraes citou uma nota divulgada pela PF à imprensa, na qual a corporação afirmou que "constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação".
"Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal", escreveu o ministro.
Moraes ressaltou, contudo, que a defesa "tem direito a realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade", e por isso pediu mais informações.
A informação sobre a queda foi divulgada inicialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relatou nas redes sociais que o ex-presidente teve uma crise de soluços enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel.
