Meu tempo com meu filho é escasso: como fortalecer o vínculo mesmo com trabalho e rotina corrida?

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

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Tem dúvida? Mande sua pergunta sobre crianças e adolescentes e nós vamos atrás de respostas Todas as perguntas: veja a lista completa das dúvidas já respondidas por nós Dúvidas da semana 🤷‍♀️🤷 “Como se fazer presente no dia a dia quando os pais têm trabalhos com muitas viagens ao longo do ano?“ “Que tempo bom que não volta nunca mais...” Quanto mais velha eu fico, mais alto toca essa música na minha cabeça. Tenho me dado conta, com uma intensidade cada vez maior, de que nenhum outro dia será como o de hoje. Pode parecer clichê, mas é o que a idade tem feito comigo. :) Outra coisa que me dei conta, criando um outro ser humano, é que os dias "comuns" são muito mais importantes do que imaginamos. É neles que moram pequenos momentos que parecem ordinários, mas são profundamente extraordinários. A gente nem sempre consegue estar presente na vida dos filhoscomo gostaria. Por isso talvez seja importante olhar para o pouco tempo disponível como um “por enquanto”, como sugere o escritor Claudio Thebas, logo abaixo. Leia o que ele diz para entender.

'A vida tem valor justamente porque ela é limitada': como falar sobre o sentido da vida com seu filho? 👩‍🏫👨‍🏫 Palavra dos especialistas  Cláudio Thebas Escritor e educador pós-graduado em Pedagogia da Cooperação 💬 Eu trabalho há muitos anos construindo espaços de diálogo com pais e mães. Ao longo desse tempo, fui organizando, para fins didáticos, as inquietações que aparecem em dois grandes grupos: as preocupações e as dores. As preocupações costumam estar voltadas para os filhos: educação, limites, escola, amizades. Já as dores dizem respeito ao mundo interno, psíquico e emocional dos pais e das mães. 😔 Posso afirmar que essa pergunta reflete a principal dor de pais e mães contemporâneos: a sensação de estarem sendo ausentes e a dificuldade de conseguir transformar esse estado de coisas. 🌬️ Então, em um primeiro momento, eu diria a esse pai: respire. Olhe para esse calendário interno em que os dias estão assinalados em vermelho com as palavras ausência e culpa e coloque sobre ele uma grande tarja onde se lê: por enquanto. 🌱 Essas duas palavrinhas têm o poder de nos oferecer um respiro, porque nos lembram que nada é definitivo. Por enquanto é assim. E, já que por enquanto é assim, o que você pode fazer para melhorar a convivência... por enquanto? Não estou repetindo essas duas palavras à toa. Quero reforçar a transitoriedade da situação e, ao mesmo tempo, lembrar que há algo que já pode ser feito. ❤️ Se, por enquanto, a sua realidade impõe pouco tempo de convivência, faça o possível para que esse tempo seja vivido com presença verdadeira. Quando você estiver com seus filhos, esteja realmente com eles. Desligue o celular. Façam refeições juntos. Organizem passeios. Conversem sem pressa. 🤗 Compartilhem as alegrias, os medos, as saudades, as dúvidas e também as tristezas. Poucas coisas conectam tanto uma família quanto a partilha sincera das emoções. Qualidade de presença não é sinônimo de estarmos sempre alegres juntos. Qualidade de presença é integridade. É estarmos inteiros naquele encontro, permitindo que quem amamos tenha acesso à nossa humanidade. Um tempo de qualidade é também um tempo em que podemos partilhar a nossa vulnerabilidade, porque é justamente aí que os vínculos se tornam mais verdadeiros. 🫂 Às vezes imaginamos que precisamos proteger nossos filhos das nossas fragilidades, quando, na verdade, permitir que eles também nos acolham é uma das experiências mais profundas de vínculo. Quando um filho percebe que pode consolar o pai ou a mãe, que pode oferecer um abraço, um carinho ou simplesmente permanecer ao lado de quem ama em um momento difícil, ele se sente importante naquela relação. Ele descobre que o amor não acontece apenas quando recebe cuidado, mas também quando pode cuidar. 🌿 Tudo isso você já pode fazer por enquanto. 🗣️ Eu poderia encerrar a resposta por aqui, mas não estaria sendo totalmente sincero. Preciso ir um passo além do acolhimento momentâneo e falar um pouco do que existe para além do por enquanto. ⚖️ Hoje, depois de mais de 30 anos de experiência, tanto como pai quanto trabalhando com famílias, tornei-me um ativista por uma transformação na relação entre a vida e o trabalho. E posso afirmar que não há quantidade de ausência que seja plenamente compensada por uma qualidade de presença quando essa é escassa. 🔄 Se, por enquanto, fazemos o que é possível, precisamos também pensar e agir para construir mudanças no médio e no longo prazo. Precisamos, como sociedade, repensar a maneira como organizamos o trabalho. 🤝 Talvez esteja na hora de construirmos um grande pacto social em torno do direito ao descanso, ao cuidado de si e ao tempo de convivência com quem amamos. Um pacto que reconheça esses direitos não como privilégios de alguns, mas como direitos de todas as pessoas. Porque uma sociedade que não protege o tempo da convivência vai, pouco a pouco, adoecendo os vínculos que sustentam o próprio sentido da vida. 🧠 Nunca tivemos tantas pessoas adoecidas emocionalmente, tantas pessoas enfrentando problemas de saúde mental. E uma parte importante desse sofrimento nasce justamente da sensação permanente de que não conseguimos cuidar de nós mesmos nem das pessoas que amamos. 💭 Essa realidade exige coragem para rever crenças que naturalizamos ao longo do tempo. A crença de que a exaustão é motivo de orgulho. A crença de que quanto mais horas trabalhamos, mais reconhecidos seremos. Mas o dia continua tendo apenas 24 horas. E, sempre que aceitamos uma lógica que nos captura integralmente para o trabalho, estamos, inevitavelmente, renunciando ao tempo de convivência com quem amamos. 🌅 Precisamos parar de tratar o trabalho como se ele fosse a própria vida. O trabalho é uma parte da vida; não é a vida inteira. 🏡 Nenhum de nós se resume ao cargo que ocupa. Ninguém é apenas gerente, diretor ou gestor. Somos pessoas que, circunstancialmente, exercem essas funções. Antes disso, somos pais, mães, filhos, companheiros, amigos. Somos pessoas que cuidam, que precisam de cuidado, que têm alegrias, preocupações e pessoas esperando pela nossa presença quando voltamos para casa. 🕰️ É justamente por isso que considero fundamental discutirmos também a forma como organizamos o trabalho. Encerrar a escala 6x1 e avançar para modelos como a escala 5x2 não é apenas uma mudança nas relações trabalhistas; é uma mudança na forma como entendemos a vida, o descanso e o direito à convivência. Autoestima saudável não é fazer a criança se achar 'a melhor': como ajudar a formar a segurança do seu filho Flávia Soares Psicanalista, especialista em Comunicação Não-Violenta e Educadora Parental ❤️ Quando falamos dos nossos "tanques do amor, da atenção e da presença", eles não são preenchidos apenas pela presença física. Existem pais que passam muitas horas dentro de casa, mas estão pouco disponíveis para os filhos. Quantas vezes vemos um pai ou uma mãe no parquinho mexendo no celular enquanto a criança chama para brincar? O adulto está fisicamente ali, mas não está realmente disponível para viver aquela experiência junto. 🪞 Por isso, em vez de pensar apenas em quanto tempo passamos fora de casa ou viajando, vale perguntar: como é o tempo que eu passo com meu filho quando estou em casa? Estou realmente disponível ou estou dividido entre o celular, a televisão, as tarefas, as contas e outras preocupações? 👨‍👧 É claro que a criança vai sentir falta quando o pai ou a mãe viaja. Não precisamos fingir que a distância não tem impacto. Mas podemos criar formas de diminuir esse impacto e, principalmente, aproveitar de verdade os momentos em que estão juntos. Quando estiver em casa, esteja por inteiro. As crianças percebem quando estamos ali, mas não estamos emocionalmente disponíveis. 🪁 Então, brinque, converse, se divirta, entre no mundo do seu filho e demonstre interesse genuíno pelo que ele está vivendo. Porque o tempo passa muito rápido e, um dia, talvez você sinta falta justamente dessas coisas que hoje parecem tão simples: “Pai, me pega no colo?”, “Conta uma história para eu dormir”, “Vamos brincar disso?”. 📱 Depois de avaliar o tempo de qualidade quando está presente, aí sim podemos pensar em como diminuir a distância quando se está fora, e aqui o ponto mais importante é que a presença não precisa desaparecer nos períodos em que os pais estão longe. Hoje a tecnologia pode ser uma grande aliada para manter essa proximidade. 🔎 Mas, para que o contato virtual não fique apenas no “como foi seu dia?”, é importante que os pais conheçam de verdade a vida dos filhos: saber como está a escola, lembrar de algo que ele contou, perguntar sobre os amigos, saber o que ele está gostando ou até acompanhar alguma atividade que seja importante para ele. São pequenas experiências de conexão que comunicam à criança: “mesmo longe, meu pai e minha mãe se interessam pela minha vida”. 💌 Outra atitude que pode fazer diferença é deixar pequenas surpresas durante a ausência: um bilhete desejando um bom dia, uma mensagem dizendo que ama ou até algo simples relacionado a um interesse do filho. ⚽ Para dar um exemplo prático: na época da Copa do Mundo, muitas crianças estavam envolvidas em preencher o álbum de figurinhas. Então, deixar uma figurinha para o filho pode ser uma forma de dizer: “eu estou presente, eu sei do que você gosta e faço parte disso”. E o valor não está no presente em si, mas na mensagem por trás dele: “Eu estou longe, mas te amo. Estou longe, mas penso em você. Estou longe, mas me interesso pelo que acontece na sua vida”. 🧵 A distância física pode fazer parte da rotina profissional, mas é possível manter a conexão familiar mesmo longe. IA: qual a idade certa para uma criança usar inteligência artificial? Em casa: como ensinar seu filho a estudar sozinho? NO RADAR 👀 - Uma ideia para 'guardar' momentos, sentimentos e pensamentos Sabe quando a gente gosta tanto de alguma coisa ou de alguém que diz que gostaria de guardar num potinho? Hoje, a seção “No radar” traz uma ideia inspirada nessa vontade. Que tal criar um potinho de coisas boas? Você e as crianças escolhem o que vai dentro dele: um momento especial que gostariam de guardar na memória, ideias de brincadeiras, recados para outras pessoas da família, desenhos, frases engraçadas que alguém disse ou desejos. A data de abertura do pote é uma combinação entre todos: uma vez por semana, uma vez por mês ou quando der vontade. O importante é criar esse espaço para guardar pequenas coisas que fazem bem e ter a chance de revivê-las depois. Envie sua pergunta e nós vamos atrás de respostas

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