Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014. Artista vê a manifestação popular como lugar de “libertação”, mas prega respeito à sua ancestralidade: “é algo que tem que ser vivido”
Mestre Nico vive o universo do maracatu de baque solto ou maracatu rural há várias décadas. Nos anos 1980, tornou-se percussionista, aderecista e mestre caboclo do Maracatu Rural Cruzeiro do Forte, o terceiro maracatu mais antigo de Pernambuco, fundado em 1929 no Recife – o primeiro criado é o Cambindinha de Araçoiaba, criado em 1914, e o segundo é o Maracatu Cambinda Brasileira, de Engenho Cumbe, zona rural de Nazaré da Mata, de 1918.
“O maracatu é algo que tem que ser vivido. É também um lugar de libertação.
A dança proporciona isso”, diz Mestre Nico em entrevista ao programa Sobre Tom, de CartaCapital. Por outro lado, ele vê o maracatu como um lugar de muito respeito.
“Nos dias de hoje, de muita informação, é muito fácil pegar um elemento do maracatu e destruí-lo, usá-lo de maneira incorreta. Por isso, é importante conhecê-lo a fundo”, afirma.
Ele aponta a importância também de olhar para os antepassados que fizeram e preservaram o maracatu. “Sempre penso neles quando sou chamado para fazer algo no maracatu”, diz.
Segundo ele, isso é importante para que se envolva na manifestação baseado na fidelidade. “Pelo colorido é muito fácil se encantar pelo maracatu, mas não é só”, afir.
O caboclo de lança do maracatu rural, de acordo com Mestre Nico, é tão importante quanto o mestre de apito, que comanda os ritmos e versos nos cortejos do maracatu. “O caboclo de lança é a figura que faz a manobra.
E manobrar é realizar a evolução do maracatu ao mesmo tempo em que o protege”, ressalta. A figura chamativa do caboclo de lança por conta de sua indumentária – chapéu de palha, Gola (manto) e guiada (lança) – é algo que fascina o público, ressalta o mestre.
Para ele, é fundamental acompanhar o caboclo de lança durante a evolução no cortejo para “sentir” seu imprescidível papel na manifestação popular. Assista à entrevista de Mestre Nico a CartaCapital:
Augusto Diniz Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
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