Messias diz a senadores que atuará por STF menos intervencionista para tentar atrair indecisos
Na reta final antes da sabatina, marcada para quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, passou a defender a senadores uma atuação com menor intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Congresso. O aceno busca reduzir resistências à sua indicação e responde a críticas de parte dos parlamentares ao que chamam de avanço da Corte sobre prerrogativas do Legislativo.
De acordo com relatos de pessoas que conversaram com o advogado-geral, ele tem apresentado o compromisso como eixo de sua atuação no tribunal. A interlocutores, afirma que pretende atuar com previsibilidade, respeito às competências dos Poderes e menor protagonismo político. Também tem sinalizado que manterá seu gabinete na Corte aberto a parlamentares.
A linha tem sido resumida em tom informal. A aliados, Messias tem dito que será um “Jorginho paz e amor”, expressão que passou a circular entre senadores como síntese do esforço de se apresentar como um nome conciliador e em prol da pacificação da relação entre Judiciário e Legislativo.
A defesa de um ajuste na atuação do STF tem sido feita no momento em que a Corte é alvo de pressões pela relação de dois de seus ministros com o caso Master. As investigações da Polícia Federal identificaram que um fundo ligado a um cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com uma empresa do ministro Dias Toffoli, além de um contrato do banco com o escritório de advocacia da mulher de Alexandre Moraes. Os dois afirmam que não houve irregularidades nessas relações.
A estratégia de Messias ao adotara esse discurso é uma tentativa de alcançar parlamentares de centro e de direita indecisos ou que já declararam voto contrário. O objetivo, segundo aliados, não é reverter posições públicas, mas testar margens de flexibilização diante do voto secreto. A avaliação de pessoas próximas ao AGU é que há senadores que evitam se comprometer, mas podem apoiá-lo, dependendo do grau de confiança no perfil do indicado.
Nesta semana, marcada pelo feriado de Tiradentes, Messias intensificou as mensagens e telefonemas para manter a articulação, em meio ao esvaziamento de Brasília. Poucos senadores viajaram para a capital, uma vez que o Senado cancelou as sessões deliberativas no período.
Aliados citam também a atuação de interlocutores com trânsito na oposição. O ministro do STF André Mendonça tem sido apontado como um fiador informal do nome de Messias entre senadores bolsonaristas.
Ruído com Alcolumbre
Apesar do avanço nas conversas, a ausência de um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a ser vista como o principal ponto de tensão na reta final. A reunião é tratada como decisiva para destravar resistências e sinalizar apoio político à indicação.
Nos bastidores, o diagnóstico é que a interlocução esfriou após a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário de Alcolumbre no estado. O episódio foi mal recebido pelo presidente do Senado e impactou a agenda entre os dois.
Aliados do governo chegaram a discutir a realização de um jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias e Alcolumbre antes da sabatina, como forma de aparar arestas. A ideia perdeu força diante do calendário apertado, o que aumentou a pressão por um encontro direto nos próximos dias.
A seis dias da sabatina, o cenário é tratado como aberto. Aliados projetam uma aprovação entre 46 e 52 votos, mas reconhecem que o resultado depende da consolidação de apoios entre indecisos, especialmente em partidos como PSD, MDB e União Brasil, que concentram parte relevante das cadeiras no Senado, enquanto o PL, maior bancada da Casa, faz oposição à indicação.
