Meryl Streep relembra momento polêmico de Melania Trump como primeira-dama: 'Foi uma mensagem poderosa'

 

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Meryl Streep refletiu sobre as mensagens que podem ser transmitidas através das roupas que escolhemos vestir e relembrou um dos momentos mais controversos da ex-primeira-dama dos EUA, a ex-modelo eslovaca Melania Trump. Para marcar o lançamento de "O Diabo Veste Prada 2", seu novo filme, a renomada atriz participou de um debate com a diretora Greta Gerwig e a célebre editora Anna Wintour.

Tudo começou quando Wintour afirmou que as mulheres não precisam usar trajes formais no escritório e refletiu: “Pensem nas mulheres que vocês admiram: Michelle Obama me vem à mente. Seja vestindo J.Crew, Duro Olowu ou Chanel por Matthieu Blazy, ela sempre parece ela mesma. Eu realmente admiro a nova Primeira-Dama de Nova York (Rama Duwaji, esposa do prefeito Zohran Mamdani) porque ela é muito elegante e usa muitas roupas vintage: jovem, moderna e, ainda assim, completamente fiel a si mesma. Para ser justa, Melania Trump também sempre parece ela mesma quando se veste.”

Streep então lembrou de um episódio vivido por Melania: “Tenho muitas opiniões sobre isso. Acho que a mensagem mais poderosa que nossa atual Primeira-Dama transmitiu foi com o casaco que dizia 'Eu realmente não me importo, e você?' quando visitou crianças migrantes detidas. As roupas são uma forma de expressão, mas também estamos sujeitas a expectativas históricas e políticas mais amplas.”

Após o incidente, que Streep relembrou, a própria Primeira-Dama tentou explicar a frase estampada no casaco: “Claro que era uma espécie de mensagem, mas obviamente eu não usei o casaco para as crianças; eu o usei para entrar e sair do avião. Era para as pessoas e a mídia de esquerda que me criticam. Quero mostrar a elas que não me importo. Podem me criticar o quanto quiserem, mas isso não me impedirá de fazer o que acredito ser certo”, declarou.

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Assim que o assunto foi encerrado, Streep abordou as diferentes expectativas que ainda existem entre homens e mulheres na esfera pública em relação ao vestuário: “Me impressiona como mulheres em posições de poder precisam mostrar os braços nus na televisão, enquanto os homens estão cobertos por camisas e gravatas ou ternos. Elas precisam mostrar sua fragilidade. É uma troca: os avanços que as mulheres conquistaram na segunda metade do século XX e no início deste foram desestabilizadores. É como se as mulheres tivessem que dizer: ‘Sou pequena. Não consigo andar com esses sapatos. Não consigo correr. Estou nua, não represento uma ameaça’”.

Gerwig, por sua vez, compartilhou uma anedota sobre o desconforto de liderar as filmagens de "As Crônicas de Nárnia", enquanto Wintour resumiu essa experiência em uma frase eloquente: "A arte da visita fugaz também é boa". Ambas as intervenções, embora aparentemente não relacionadas ao comentário de Streep, giram em torno da mesma ideia: a distância como uma forma de poder.

Na estreia de "O Diabo Veste Prada 2", Streep evitou revelar detalhes da trama. "Sou a melhor espectadora dos meus próprios filmes porque nunca me lembro do que aconteceu", disse ela, arrancando risos da plateia. No entanto, ela revelou: "É um final feliz. Ou não exatamente feliz. Mas é real e triunfante."

Wintour, por sua vez, expressou sua alegria por a atriz interpretar novamente uma personagem que se acredita ter sido inspirada nela: "É uma grande honra ser interpretada por Meryl, por mais distante que Miranda possa ser de mim. Quem não consideraria isso um presente extraordinário?"