Mercadante cutuca oposição e diz que ‘essa coisinha de motosserra' é boa só para fazer campanha

Mercadante cutuca oposição e diz que ‘essa coisinha de motosserra' é boa só para fazer campanha - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, fechou o evento do Esfera Brasil promovido nesta segunda-feira (14) em São Paulo e aproveitou para fazer uma defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Ele criticou propostas apresentadas em painéis anteriores por representantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.

Mercadante admitiu que existe espaço para melhorar a política fiscal e que inclusive será preciso discutir novamente a questão da previdência, mas disse que tudo isso precisa ser feito mantendo o crescimento e políticas sociais.

"Assim, é um processo progressivo, tem de ser feito com qualidade. Essa coisinha de ''motosserra'' é boa só para fazer campanha. Vamos ver como terminam alguns governos próximos daqui para ver se é isso que o Brasil precisa", comentou, se referindo ao termo usado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, que costuma aparecer com uma motoserra em eventos para dizer que está cortando fortemente gastos públicos, e que é copiado por Flávio.

Mercadante lembrou que, quando assumiu o posto, prometeu que levaria os desembolsos do BNDES para algo próximo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB)*, que é a média histórica do banco, e está entregando isso. "Diziam que tinha caixa-preta no BNDES e ganhamos prêmios como estatal mais transparente", disse. "O BNDES não quer substituir os mercados de capitais, não é o papel dele", acrescentou.

Ele defendeu ainda que 62% do funding do BNDES não tem um real de subsídio e que, da fatia restante, quase 15% são do Plano Safra. A fatia que sobra é para programas emergenciais, como o Brasil Soberano, adotado para compensar as tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente americano, Donald Trump.

"Quando Trump fez as tarifas, teve gente que botou chapéu do MAGA [movimento "Make America Great Again"], se enrolou na bandeira americana. Nós fizemos três programas, colocamos R$ 50 bilhões para amortecer os impactos, porque as exportações para os EUA caíram 15%."

Mercadante também rebateu comentários feitos em um painel anterior por Daniella Marques e Adolfo Sachsida, que foram do governo de Jair Bolsonaro e estão na equipe econômica de Flávio. "Tem gente que tomou cloroquina. Dizer que fizeram um ajuste fiscal na pandemia? Deixaram um déficit de R$ 743 bilhões", afirmou.

Em outro momento, criticou falas sobre cortar a folha de pagamento do governo federal e usar inteligência artificial para não precisar fazer mais concurso. "Isso é uma bombagem. A folha de pagamento é de R$ 90 bilhões, como vão cortar R$ 50 bilhões, tirar metade da folha?"

Ele ainda lembrou a criação do crédito consignado para beneficiários do auxílio emergencial, nos últimos meses do governo Bolsonaro, perto da eleição, quando a Caixa era comandada por Marques. "Fizeram R$ 7,66 bilhões no consignado do auxílio emergencial, a dois meses da eleição. Uma pessoa que recebia R$ 600 por mês teve um crédito de R$ 2,5 mil para pagar em dois anos. Aí chega aqui e vem dar lição de gestão?"

Perguntado sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Mercadante disse que o Brasil "nunca assistiu a uma crise dessa proporção como estamos vendo no Supremo". Segundo ele, a crise é muto grave, mas será superada. "A democracia vai se sair melhor e o Judiciário tem de se repensar", comentou, acrescentando ser "totalmente a favor" de acabar com penduricalhos no Poder Judiciário.

Ele ainda defendeu a necessidade de um Estado forte, inclusive para ter poder de fiscalização. "Me expliquem o caso Master? Falta regulação e fiscalização no BC e na CVM [Comissão de Valores Mobiliários].

Além de rebater a equipe de Flávio, Mercadante também comentou sobre uma proposta do candidato Augusto Cury (Avante), que falou em dividir o BNDES em dois, para que uma parte focasse em pequenas e médias empresas (PMEs). Ele explicou que o banco estatal já atende esse público e que, com apenas 3 mil funcionários, se fosse dividido ao meio não conseguiria trabalhar com as PMEs. "A gente não tem agências. A gente chega às PMEs graças aos 80 bancos e agentes públicos parceiros", explicou. Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante Tomaz Silva/Agência Brasil

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