Membros da Otan frustram operação russa para testar sabotagem de cabos submarinos no Ártico, diz agência

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Aliados da Otan frustraram uma operação russa no Ártico destinada a testar uma nova tecnologia capaz de inutilizar cabos submarinos críticos sem deixar vestígios, publicou a agência Reuters nesta quinta-feira. Segundo autoridades ouvidas pelo veículo, submarinos russos foram flagrados neste ano realizando exercícios nas proximidades do remoto arquipélago de Svalbard, em águas norueguesas.

Entenda: Trump diz que Rússia ‘não vai atacar a Otan’ e descarta que chefe da CIA tenha ido a Moscou fazer alerta sobre o tema Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países A operação clandestina foi conduzida pela Diretoria Principal de Pesquisa em Águas Profundas da Rússia, conhecida pela sigla GUGI, unidade especializada em operações submarinas. De acordo com duas das autoridades, submersíveis de águas profundas foram usados para simular o emprego da tecnologia, descrita por elas como “sofisticada e destrutiva”.

Reino Unido, Noruega e Estados Unidos participaram de uma operação conjunta para rastrear e confrontar as embarcações russas no mar. Os navios foram impedidos de concluir o exercício e acabaram deixando a região. A Rússia não chegou a danificar nenhum cabo, e as autoridades não detalharam o funcionamento da tecnologia. Londres e Oslo já haviam revelado, em abril, que descobriram uma operação secreta russa em águas do Ártico. Até agora, porém, não haviam sido divulgados a descoberta da nova tecnologia, o local exato da operação nem a participação dos EUA na resposta. Temor crescente O episódio ocorre em meio ao temor de algumas autoridades de inteligência ocidentais de que o Kremlin esteja ampliando operações de sabotagem na Europa e se preparando para um possível conflito com a Otan. Três autoridades disseram que analistas de inteligência dos EUA estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de a Rússia testar o Artigo 5º da aliança militar, que estabelece o princípio de defesa coletiva. Análise: Resistência começa a substituir era de capitulação a Trump nos EUA e no exterior A destruição de cabos submarinos, nesse caso, poderia desempenhar um papel crucial, segundo as autoridades. Instalados sobre o leito marinho ou enterrados logo abaixo dele, alguns desses cabos têm espessura semelhante à de uma mangueira de jardim, mas são fundamentais para a conectividade global da internet e para transações financeiras. A importância econômica e estratégica dessas estruturas fez delas alvos em conflitos anteriores. Durante as Guerras Mundiais, cabos submarinos eram essenciais para a transmissão de ordens por telégrafo ou telefone. Agora, a expansão do tráfego de dados e da demanda por eletricidade aumentou ainda mais a dependência dessa infraestrutura. Dois cabos submarinos de fibra óptica com 1,4 mil quilômetros de extensão conectam Svalbard à Noruega continental e chegam a uma profundidade de 2,7 mil metros. Eles transportam grandes quantidades de dados de satélites recebidos pela estação SvalSat, considerada a maior do mundo e integrante da Near Space Network, da Nasa. Novos ataques Algumas autoridades afirmam que as ações de Moscou contra países europeus aumentaram nos últimos meses, enquanto a linha de frente da guerra na Ucrânia permaneceu em grande parte estagnada. Polônia, Lituânia e Romênia estão entre os países que confirmaram diferentes violações, enquanto o Kremlin nega realizar operações de sabotagem em países da Otan ou planejar um confronto com a aliança militar.

Ataques: Rússia acusa Reino Unido de ‘jogar combustível no fogo’ após país anunciar cessão de tecnologia de mísseis para Ucrânia Em agosto, uma tentativa de ataque com drones contra o Aeroporto de Leipzig/Halle provocou uma série de respostas da Alemanha, entre elas o fechamento de um consulado russo em Bonn e de um centro cultural em Berlim. No mesmo mês, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou autoridades de inteligência em Moscou, em parte para advertir a Rússia contra uma escalada das operações de sabotagem na Europa, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. Não se sabe se Ratcliffe abordou especificamente as operações submarinas secretas durante a visita. O Kremlin se recusou a informar o conteúdo das conversas ou fornecer detalhes, e o Ministério da Defesa russo não comentou o assunto. Autoridades britânicas e norueguesas, porém, apresentaram suas descobertas a Moscou para deixar claro que tinham conhecimento da nova tecnologia e, segundo as autoridades, fazer com que a Rússia hesitasse em utilizá-la.

“Por meio de nossa operação conjunta, enviamos uma mensagem clara à Rússia de que eles não podem operar secretamente”, disse o ministro da Defesa da Noruega, Tore Sandvik, em nota. “Deixamos claro às autoridades russas que qualquer tentativa de atacar nossa infraestrutura crítica será detectada e terá consequências”, acrescentou, destacando que não é do interesse de nenhuma das partes aumentar as tensões.

Relembre: Trump autoriza Ucrânia a fabricar mísseis Patriot e diz que ofensiva contra a Rússia pode ajudar a encerrar a guerra Questionada pela Reuters, a Otan remeteu as perguntas às autoridades britânicas e norueguesas. O Ministério da Defesa do Reino Unido, por sua vez, citou declarações de 9 de abril em que reconheceu tentativas de atividades secretas dentro e nas proximidades das águas norueguesas e britânicas conduzidas pela GUGI. Tanto Washington quanto Londres já impuseram sanções à diretoria russa. A Casa Branca não comentou. Importância estratégica Uma eventual escalada entre Rússia e Otan também poderia aumentar a importância estratégica do chamado Bear Gap, uma extensão de águas geladas entre o extremo sul de Svalbard e a Noruega continental. Para chegar ao Atlântico, submarinos nucleares russos baseados na Península de Kola precisam atravessar esse trecho de cerca de 640 quilômetros antes de passar pela remota ilha vulcânica norueguesa de Jan Mayen. O Reino Unido anunciou nesta semana que enviou forças a Jan Mayen em agosto, ao lado de militares da Noruega e dos EUA, para um exercício destinado a demonstrar a capacidade da Otan de operar conjuntamente no Extremo Norte. A Noruega também planeja concluir até 2028 um novo cabo conectando Svalbard e Jan Mayen ao continente. Guerra híbrida? Cabos submarinos se tornam alvo de tensão entre EUA, China, Rússia e Otan em mundo hiperconectado A segurança da infraestrutura submarina ganhou espaço entre as prioridades da Otan desde a destruição, em 2022, de três dos quatro gasodutos Nord Stream que transportavam gás russo para a Alemanha. Promotores alemães indiciaram um ucraniano que era oficial das forças especiais na época do ataque. A Ucrânia nega qualquer participação na sabotagem. Ameaças submarinas Desde 2023, também aumentou o número de embarcações que navegam lentamente sobre ou perto de infraestruturas submarinas sensíveis, como gasodutos e cabos de energia, para mapear sua localização. A prática é conhecida como drifting e, embora não seja ilegal, é vista por especialistas como uma possível preparação para atos de sabotagem.

Apenas no ano passado, a atividade de drifting no Mar do Norte cresceu 52% em relação ao ano anterior, chegando a 13 mil embarcações, segundo dados da empresa de análise de riscos Windward. No Mar do Sul da China, o aumento foi de 88%, para 18,4 mil embarcações. Entenda: Ataques atribuídos à Rússia a cabos submarinos ameaçam rede de internet que movimenta 95% dos dados globais A atividade e as suspeitas de interferência em alguns cabos levaram ao lançamento, em janeiro passado, de iniciativas para proteger essas estruturas, entre elas o sistema de monitoramento Baltic Sentry, da Otan, e o Nordic Warden, liderado pelo Reino Unido. As operações reúnem forças navais para ampliar as patrulhas de infraestruturas críticas. No Mar Báltico, uma das áreas prioritárias de monitoramento, a atividade de drifting caiu 5% em 2025 em relação ao ano anterior, para 526 embarcações, segundo a Windward. A empresa afirma que pelo menos 11 cabos submarinos foram danificados ou cortados na região entre outubro de 2023 e o fim do ano passado. — A avaliação atual é que Rússia e China são provavelmente as ameaças submarinas mais ativas e críticas — disse à Reuters Ami Daniel, diretor-executivo da Windward. Ainda assim, a rede mundial de cabos de energia e telecomunicações instalados no leito dos oceanos continua se expandindo, impulsionada pelo crescimento da demanda por dados e eletricidade, em parte relacionado ao avanço da inteligência artificial. Analistas, porém, avaliam que a Europa continua vulnerável à destruição dessas estruturas. — Nos últimos 25 anos, a Europa fez duas coisas simultaneamente: ampliou o grau em que depende de infraestrutura no leito marinho e reduziu sua capacidade de proteger essa infraestrutura — afirmou Bruce Jones, pesquisador sênior da Brookings Institution, à agência. — Agora, tardiamente, está reconstruindo essa capacidade, diante de uma crescente ameaça russa.

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