Um opositor israelense anunciou, nesta quinta-feira, ter apresentado uma denúncia contra Sara Netanyahu, esposa do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por ter divulgado uma teoria da conspiração segundo a qual este adversário político sabia que o Hamas cometeria o ataque de 7 de outubro de 2023. Contexto: Premier de Israel enfrenta críticas após relato de que ignorou alerta dos Emirados Árabes sobre ataque de 7 de outubro Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países O caso é uma amostra do clima durante a campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro, em um país muito dividido e traumatizado pelo massacre, o pior ocorrido em solo israelense.
Em uma entrevista na televisão no fim de agosto, Sara Netanyahu deu a entender que o opositor Yair Golan, um ex-general que lidera o partido de esquerda "Os Democratas", tinha conhecimento do plano de ataque do grupo islamista palestino. Segundo ela, Golan já estava "vestido e preparado" na manhã de 7 de outubro de 2023, "enquanto outros não sabiam de nada, incluindo o primeiro-ministro". Veja também: Netanyahu diz que tropas israelenses não deixarão Gaza, onde mais de 900 palestinos foram mortos em 2026 Suas declarações provocaram uma enxurrada de reações, e muitos israelenses elogiaram a atitude de Golan em 7 de outubro, quando participou espontaneamente da resposta aos milicianos com sua arma pessoal. Em resposta às declarações da esposa de Netanyahu, Golan apresentou uma queixa por difamação e incitação à violência, na qual contesta "teorias da conspiração urdidas por mentes mal-intencionadas" que buscam "ferir sua dignidade e sua reputação", segundo documentos consultados pela AFP. Entenda: Ministro de Israel apresenta plano para expulsar 250 mil palestinos de Gaza em um ano e enviá-los ao exterior Golan pede uma indenização de até 2,5 milhões de shekels (cerca de R$ 4,2 milhões, na cotação atual). Premier enfrenta críticas O ataque de 7 de outubro está no centro da campanha para as eleições legislativas, e Netanyahu não escapou das críticas nem das acusações. Vários opositores pediram sua renúncia nesta semana, depois que um artigo publicado na imprensa afirmou que os Emirados Árabes Unidos haviam alertado o premier sobre um ataque iminente do Hamas dez dias antes de 7 de outubro. Netanyahu nega. ‘Terrorismo judaico’: Generais que lutaram por Israel denunciam violência de colonos na Cisjordânia O ataque do Hamas deixou 1.221 mortos, em sua maioria civis, segundo uma contagem da AFP. A ofensiva lançada por Israel em resposta na Faixa de Gaza deixou mais de 73 mil mortos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
O Globo