Cardiologista afirmou ter recursos para recusar pacientes por preferência política; hospital repudiou a declaração e analisa o caso O cardiologista Clederson Henry Dina, que atua no Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, afirmou nas redes sociais que não atende eleitores do presidente Lula (PT).
No Instagram, o médico chamou apoiadores do partido de “petistas vagabundos” e disse ter recursos para recusar pacientes. Segundo o UOL, o médico fez as declarações em uma série de publicações no Instagram, que foram apagadas pouco depois.
O cardiologista não explicou como identificaria a preferência política dos pacientes nem de que forma impediria os atendimentos. Após a repercussão, o Einstein repudiou as declarações e informou que o caso está sendo analisado conforme as normas internas do hospital.
A conduta também levantou questionamentos sobre o Código de Ética Médica, que proíbe a discriminação de pacientes. “Não atendo petistas vagabundos”, escreveu Clederson Henry Dina em uma das publicações.
Na mesma sequência, afirmou possuir “recursos” para rejeitar pacientes, sem detalhar quais seriam esses meios. As mensagens foram excluídas antes de desaparecerem automaticamente do Instagram, após 24 horas.
Não há informações de que o cardiologista tenha efetivamente negado atendimento a alguém por motivos políticos. Procurado pelo UOL, o Einstein afirmou que não tolera manifestações discriminatórias e que declarações individuais de profissionais não representam o posicionamento da instituição.
“O Einstein conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados, que atuam no hospital. Declarações individuais desses profissionais não representam o posicionamento institucional da organização.
O Einstein repudia de forma veemente qualquer manifestação ou ação discriminatórias e não tolera condutas que atentem contra o respeito e os direitos de qualquer pessoa. Esses princípios são inegociáveis para a organização e fazem parte das regras gerais de atividade médica do Einstein.
O caso mencionado está sendo tratado de acordo com o código de ética, princípios e diretrizes institucionais.” O hospital, que reúne cerca de 20 mil médicos, entre contratados e autônomos, acrescentou que o episódio está sendo tratado conforme seu código de ética, princípios e diretrizes institucionais.
A discriminação por posicionamento político contraria os princípios do Código de Ética Médica, estabelecido pela Resolução nº 2.217/2018 do CFM (Conselho Federal de Medicina). A norma determina que a medicina deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.
Também proíbe que profissionais deixem de prestar atendimento em setores de urgência e emergência quando essa for sua obrigação. Embora médicos possam deixar de acompanhar pacientes em determinadas circunstâncias, essa decisão precisa respeitar as regras da profissão e não pode ter caráter discriminatório.
Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital.
Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social.
Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias.
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