Mauro Vieira afirma que Donald Trump tomou lado na eleição presidencial brasileira

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirma que integrantes do governo de Donald Trump tomaram partido na disputa eleitoral brasileira, de forma favorável a Flávio Bolsonaro (PL). O ministro disse em entrevista ao O Estado de S. Paulo que caberá aos eleitores decidir, nas urnas, se houve ingerência estrangeira e quais rumos desejam para o país. — Tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens. Não sou especialista, não posso responder. Isto tudo só será decidido pelo povo brasileiro, pela vontade majoritária do povo brasileiro nas eleições no dia 25 — afirmou. O chanceler também criticou as ameaças de aliados de Flávio de promover uma “faxina” no Itamaraty e classificou como um “péssimo sinal” a proposta de criar uma equipe para coordenar posições com os Estados Unidos em caso de vitória do senador. A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, o chanceler afirmou que iniciativas que busquem desarticular a estrutura diplomática brasileira prejudicam o interesse nacional e podem representar uma tentativa de “destruir” o ministério. — Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa. Você faz entre o governo que deixa e o governo que assume. Você cria uma equipe de transição para que seja passado. Isso é normal em todas as democracias. Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal. O chanceler demonstrou preocupação com as declarações de aliados de Flávio sobre mudanças no Ministério das Relações Exteriores, incluindo ameaças de transferir embaixadores que teriam se manifestado politicamente. Para ele, a atuação em uma democracia deve ser baseada no diálogo, e não em ameaças de retaliação a integrantes do serviço público. — É péssimo. Primeiro porque não é a forma de se atuar. Numa democracia você não ameaça, você dialoga, conversa, negocia. Saiu publicado, com nome e sobrenome, na imprensa o que fariam, no caso de futura vitória, de estabelecer um comitê para coordenar as posições com os Estados Unidos — disse. Ao rebater as ameaças dirigidas a embaixadores, Vieira defendeu o caráter institucional do Itamaraty e a atuação dos diplomatas como servidores de Estado. Segundo ele, a carreira diplomática tem importância estratégica em um cenário internacional no qual o multilateralismo vem sendo contestado. — O Itamaraty é uma instituição de Estado, com uma carreira de Estado que é muito importante, sobretudo nesse momento em que o multilateralismo está sendo atacado. Qualquer iniciativa ou tentativa para destruir ou desarticular a estrutura do Itamaraty eu acho muito ruim. É ruim para o interesse nacional. É péssimo, para falar a verdade — afirmou. Apesar das críticas, Vieira afirmou que o governo Lula cumpriria o rito democrático de transição caso o candidato do PL vença a eleição. — A democracia pede o diálogo — declarou.

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