Daniel Vorcaro e Ana Matos, então responsável pelo marketing do Banco Master, teriam discutido a possibilidade de combinar previamente as perguntas de uma entrevista à CNN Brasil, realizada em abril de 2025. As conversas mencionam pagamentos de R$ 10 milhões por ano em publicidade e negociações envolvendo o lançamento do canal CNN Money. As informações foram divulgadas pelo portal ICL Notícias.Leia mais: Vorcaro editava vídeos de Prioli apresentados como opinião espontâneaLeia mais: Globo demite diretor que mantinha conversas com ex-banqueiroSegundo a reportagem, a intenção era preparar a participação de um representante do Master em meio às críticas à operação de venda de parte do banco ao Banco de Brasília (BRB). Em uma das conversas, Ana Matos afirmou que as perguntas deveriam ser acertadas antecipadamente com a emissora. "A gente dizer o que queremos falar. Tudo combinado. 100%. Eu vou com vc", escreveu a executiva a Vorcaro.A entrevista estava prevista para ser concedida pelo próprio Vorcaro, mas ele acabou optando por enviar Paulo Gala, economista-chefe do Master, para falar sobre o balanço da instituição e a negociação com o BRB. À época, a operação enfrentava questionamentos de analistas e concorrentes.Gala participou ao vivo do CNN Money, em 3 de abril de 2025. Posteriormente, a emissora publicou uma reportagem com declarações do economista favoráveis ao negócio. Nas mensagens obtidas pelo portal, porém, não aparecem as perguntas que teriam sido previamente combinadas.Na mesma época, Ana Matos discutiu uma proposta para que o Master se tornasse patrocinador fundador do projeto. Segundo as mensagens, a emissora solicitou R$ 12 milhões por 12 meses. Ana sugeriu, então, redirecionar para o novo canal os R$ 10 milhões anuais que o banco já destinava à publicidade na CNN Brasil.Ela também pediu para participar de discussões relacionadas ao conteúdo editorial e estabelecer restrições a determinados patrocinadores. Vorcaro respondeu que concordava com as sugestões.A reportagem entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro, mas não obteve retorno até o momento. A defesa de Ana Matos não foi localizada. O espaço segue aberto.Defesa da CNNProcurada, a CNN se manifestou por meio de nota oficial: "A CNN Brasil esclarece que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora tem um único controlador, Rubens Menin. O Banco Master foi anunciante da CNN Brasil, com entregas de mídia convencionais nos intervalos comerciais e nas plataformas digitais. Os valores dos contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade, política aplicada a todos os anunciantes.Vorcaro nunca concedeu entrevista à CNN Brasil ou ao CNN Money fora do CNN Talks – produto comercial, organizado desde sua criação pelo departamento comercial da emissora. Seus painéis são construídos em conjunto com as marcas parceiras e identificados ao público como conteúdo patrocinado. A redação não participa da concepção desses eventos e realiza apenas a cobertura jornalística. Os executivos que estavam à frente da CNN Brasil e de sua área comercial durante o período em que o Banco Master foi anunciante deixaram a empresa em agosto de 2025, meses antes da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do banco.A atual gestão mantém e fortalece a separação entre as áreas comercial e editorial, portanto, anunciantes não interferem nas decisões editoriais da CNN Brasil. Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a emissora vem realizando cobertura jornalística contínua sobre o caso e seus desdobramentos.A CNN Brasil reitera seu compromisso com a independência editorial, a transparência e os princípios éticos que orientam sua atuação jornalística, mantendo a clara separação entre suas áreas comercial e editorial".
Master pagava R$ 10 milhões por ano à CNN, diz reportagem
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O Dia
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