Marquinho do Gayer critica gestão de Wilder Morais e defende mudança no comando do PL em Goiás

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O deputado estadual eleito Marquinho do Gayer (PL) afirmou, neste sábado, 7, ao Jornal Opção, que o Partido Liberal em Goiás vive um momento de discussão interna sobre a sucessão no comando estadual da legenda. Segundo ele, a vitória de Gustavo Gayer (PL) para o Senado em 2026 fortaleceu a defesa de uma alternância na presidência da sigla, atualmente ocupada pelo senador Wilder Morais (PL).

De acordo com Marquinho, a discussão ganhou força nos últimos dias e envolve a avaliação do desempenho partidário nos últimos anos. Para ele, o trabalho desenvolvido por Wilder Morais teve resultados positivos, mas também apresentou falhas, especialmente na condução da estrutura partidária durante as eleições municipais.

“Está tendo uma discussão nos últimos dias sobre a mudança de presidente no partido”, disse. O Jornal Opção tentou contato com o senador Wilder, mas até o fechamento do material, ele não respondeu.

O espaço permanece aberto caso o parlamentar queria se manifestar sobre o assunto. “Essa discussão surgiu até mesmo por conta da vitória do Gustavo.

Sou um dos defensores de que precisa haver alternância dentro do PL. O Gustavo hoje se coloca como um líder de fato dentro do partido.

Após a vitória, já tivemos diversas reuniões. Acredito que o momento do Wilder como presidente do partido deve se encerrar.

O trabalho realizado teve acertos, mas também teve erros nas eleições municipais de 2024. O PL poderia ter eleito mais prefeitos e mais vereadores”, completou.

O deputado eleito afirmou que parte das dificuldades enfrentadas pelo partido nas eleições municipais decorreu da fragilidade da organização partidária em diversas cidades goianas. “Tivemos muitos municípios onde não conseguimos constituir boas lideranças partidárias.

Isso é reflexo de um processo que vem ocorrendo há bastante tempo. Hoje estamos unidos”, apontou.

“O PL possui a maior bancada legislativa, conta com dois senadores, quatro deputados federais e cinco deputados estaduais. Cerca de 90% dessa bancada acredita e defende uma mudança na condução do partido.

Atualmente apoiamos o nome de Gustavo Gayer para assumir a presidência estadual do PL em Goiás”, acrescentou. Ao detalhar as críticas à gestão partidária, Marquinho argumentou que faltou proximidade entre a direção estadual e os municípios.

“Acredito que faltou estar mais próximo dos municípios e compreender a realidade de cada localidade”, disse. “Somos um partido que defende princípios de direita, mas tivemos diversos presidentes e dirigentes municipais apoiando candidatos que não representavam aquilo que defendemos.

Houve casos em que dirigentes assumiram a estrutura partidária para fazer negociações políticas e sequer lançaram chapas de vereadores ou candidaturas próprias”, afirmou. Segundo ele, a ausência de candidaturas em várias cidades enfraqueceu a presença da legenda em Goiás.

“Um partido do tamanho do PL deveria ter ao menos 200 municípios com pessoas aptas a disputar as eleições. Não estou dizendo que todos venceriam, mas onde existiam comissões partidárias formadas deveria haver pelo menos uma chapa de vereadores disputando o pleito.

Isso não aconteceu”, disse. Marquinho também fez críticas ao perfil de parte dos prefeitos eleitos pela legenda em 2024.

“Elegemos 26 prefeitos nas eleições municipais, mas metade deles utilizou o PL porque era o partido do momento”, comentou. “Poucos meses depois, muitos retornaram às suas legendas de origem, principalmente ao União Brasil, a pedido do governador Ronaldo Caiado.

Isso demonstra que as pessoas escolhidas para dirigir o partido em determinados municípios não eram as mais qualificadas”, acrescentou. Ao defender Gustavo Gayer para a presidência estadual do partido, o deputado eleito afirmou que o senador eleito demonstrou capacidade de liderança e proximidade com os integrantes da legenda.

“O Gustavo sempre demonstrou liderança. Ele foi muito mais líder do que o próprio senador.

Falo por experiência própria. Como pré-candidato, candidato e posteriormente deputado estadual eleito, nunca recebi uma ligação do presidente do meu partido”, apontou.

Segundo Marquinho, o cenário mudou após a eleição de Gustavo Gayer ao Senado. “Somente após as eleições, Gustavo já realizou quatro ou cinco reuniões com todos os eleitos.

E o assunto nem era a presidência do partido. O foco estava nos próximos passos para fazer Goiás e o Brasil avançarem.

Precisamos de um líder que esteja próximo dos liderados e não apenas ocupe uma função partidária”, contou. O deputado eleito também comparou o atual momento político ao processo que levou Wilder Morais ao comando do PL anos atrás.

“O Wilder assumiu a presidência quando Major Vitor Hugo [PL] não conseguiu se eleger governador e ele havia acabado de conquistar uma vaga no Senado. Agora ocorre o movimento inverso”, afirmou.

“Temos Gustavo Gayer eleito com mais de 1,6 milhão de votos, interessado em presidir o partido para dar continuidade ao trabalho político. Já Wilder não foi eleito governador e continua exercendo seu mandato de senador.

O cenário é muito semelhante ao de quatro anos atrás”, disse. Marquinho explicou que a proposta não busca afastar Wilder Morais da legenda.

“Não estamos excluindo ninguém nem retirando ninguém. Queremos dar continuidade ao trabalho, mas sob uma nova liderança”, apontou.

Ao comentar críticas frequentes de filiados sobre o relacionamento da direção estadual com as bases municipais, o deputado eleito voltou a defender uma atuação mais próxima da presidência partidária. “O bom líder é próximo dos seus liderados e os liderados são o espelho do líder.

É necessário ter alguém na condução do partido que seja acessível. Isso não significa estar presente fisicamente o tempo todo, mas é preciso ter uma equipe que atenda e ofereça respaldo”, disse.

Marquinho comentou sobre sua experiência durante a campanha eleitoral para reforçar a crítica. “Durante os 49 dias de campanha percorri 115 municípios.

Somando pré-campanha e campanha, visitei mais de 220 cidades. A reclamação que mais ouvi era de presidentes municipais que nunca conseguiam agendar reuniões, conversar ou levar as demandas de seus municípios à presidência estadual”, explicou.

Para ele, essa situação comprometeu o crescimento partidário. “Isso é inadmissível e prejudica o desenvolvimento do partido.

Precisamos de uma condução mais próxima, que receba as lideranças e escute suas demandas. O objetivo principal é tornar a sigla forte e competitiva tanto nas eleições municipais quanto nas disputas para governador, deputado estadual e deputado federal”, disse.

Um outro ponto levantado pelo deputado eleito foi o posicionamento político adotado por Wilder Morais durante a disputa presidencial. Segundo Marquinho, havia uma cobrança interna por manifestações mais contundentes por parte do senador.

“Existem perfis diferentes. Gustavo tem um perfil e Wilder possui outro”, afirmou.

“Mas o que cobramos do Wilder, como presidente do partido e senador, era posicionamento. Na política é preciso ter posicionamento, principalmente quando se está em um partido que valoriza essa característica”, completou.

De acordo com ele, o apoio formal ao campo político representado por Flávio Bolsonaro não era suficiente para parte da militância. “Não basta apenas declarar apoio.

Também é necessário apontar divergências, fazer oposição política e mostrar aquilo que se considera inadequado no outro campo político”, disse. “Nunca vimos o senador utilizar a tribuna para tratar de temas que muitos filiados consideravam relevantes, como críticas ao Judiciário ou a ministros do Supremo.

Não se trata de atacar pessoas, mas de demonstrar posicionamento. Essa postura foi bastante cobrada internamente”, acrescentou.

Segundo Marquinho, esse fator contribuiu para o desgaste da liderança de Wilder dentro do partido. “Esse foi um dos grandes desgastes.

Muitas vezes o Gustavo cobrava justamente isso. Não apenas uma declaração de apoio, mas demonstrações claras de posicionamento político”, disse.

Apesar das críticas à condução partidária, o deputado fez questão de reconhecer qualidades do senador. “Não digo que Wilder deixou de ser importante para o partido.

Ele é uma boa pessoa, possui acertos em sua atuação como senador e votou em diversas matérias que eram do nosso interesse”, apontou. Ainda assim, Marquinho considera que a mudança no comando partidário é necessária.

“Acredito que houve problemas na condução do partido e que algumas pessoas próximas talvez não tenham exercido o papel necessário para fortalecer a estrutura da legenda. Sempre digo que um líder deve estar próximo dos liderados e oferecer autonomia para que eles trabalhem.

Na minha avaliação, a função de liderança partidária não se encaixou da melhor forma com o senador Wilder Morais”, explicou. Ao encerrar a entrevista, o deputado reafirmou sua defesa da renovação no comando do PL em Goiás e reiterou o apoio ao nome de Gustavo Gayer como alternativa para conduzir a legenda nos próximos anos.

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