247 – A resistência do governo de Donald Trump às políticas de enfrentamento das mudanças climáticas, somada aos efeitos dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, tem contribuído para enfraquecer os compromissos internacionais de financiamento e adaptação ambiental. A avaliação é da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que manifestou preocupação com os rumos das negociações globais às vésperas da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), prevista para ocorrer na Turquia.
Segundo informações divulgadas pela Agência Estado nesta terça-feira (3), Marina fez as declarações durante um evento em Brasília dedicado ao lançamento dos Mapas do Caminho. Na ocasião, ela apontou que a conjuntura geopolítica internacional tem reduzido o espaço destinado às iniciativas de combate ao aquecimento global, especialmente aquelas relacionadas à mobilização de recursos financeiros e à preparação dos países para os impactos das alterações climáticas.
“As agendas de financiamento e adaptação perderam força, muito influenciadas pelos EUA e, na Europa, pelo contexto das guerras”, afirmou Marina Silva. Governo Trump e guerras pressionam compromissos climáticos
A avaliação da ex-ministra evidencia as dificuldades enfrentadas pela cooperação internacional em um momento no qual o financiamento climático permanece entre os principais desafios das negociações multilaterais. A postura resistente do governo estadunidense, liderado por Donald Trump, foi identificada por Marina como um dos fatores que contribuem para a perda de prioridade das políticas ambientais.
Na Europa, os efeitos das guerras também interferem na capacidade de manter o tema climático no centro das decisões políticas. O financiamento internacional é considerado essencial para permitir que países em desenvolvimento ampliem medidas de adaptação às mudanças climáticas, reduzam emissões de gases de efeito estufa e enfrentem consequências como secas prolongadas, enchentes e eventos meteorológicos extremos.
A preocupação manifestada por Marina ocorre em um momento particularmente importante para as negociações internacionais, com a proximidade da COP31. O encontro deverá reunir representantes de governos para discutir os compromissos relacionados à redução das emissões e à resposta global à crise climática.
Brasil ganha destaque na redução do desmatamento Apesar do cenário internacional desfavorável, Marina Silva ressaltou os resultados brasileiros no combate à destruição das florestas, destacando a contribuição do país para a redução dos índices globais de desmatamento.
De acordo com os dados mencionados pela ex-ministra, o desmatamento mundial apresentou queda de 15%, resultado impulsionado principalmente pelo desempenho brasileiro. Ela também destacou que a degradação na Amazônia alcançou seu menor patamar desde 1988, ano de início da série histórica citada.
“O Brasil mudou o ponteiro no desmatamento e tem influência muito grande do ponto de vista de emissões”, declarou Marina. A importância desse resultado está diretamente relacionada ao peso da mudança no uso da terra nas emissões brasileiras de gases de efeito estufa.
A preservação da cobertura florestal, especialmente na Amazônia, contribui para limitar a liberação de carbono associada à derrubada e à degradação da vegetação. Os números apresentados por Marina reforçam a relevância das políticas de controle do desmatamento para o cumprimento dos compromissos ambientais do Brasil e para os resultados globais de redução das emissões.
COP31 terá desafio de recuperar impulso internacional O contraste entre os avanços brasileiros e o enfraquecimento das iniciativas internacionais foi um dos pontos centrais da manifestação da ex-ministra.
Enquanto o Brasil apresenta resultados expressivos na preservação florestal, a capacidade de ampliar a cooperação entre os países permanece condicionada ao ambiente político e econômico internacional. As declarações de Marina também colocam em evidência a importância de transformar compromissos diplomáticos em mecanismos efetivos de financiamento e adaptação, especialmente para os países mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.
Com a realização da COP31 na Turquia, a retomada do protagonismo da agenda climática e a superação das dificuldades impostas pelas tensões geopolíticas estarão entre os desafios das negociações internacionais.
Brasil 247