O acidente que provocou a morte da cantora sertaneja Marília Mendonça e outras quatro pessoas completa cinco anos nesta quinta-feira. Em 5 de novembro de 2021, o avião bimotor que levava os passageiros para o aeroporto de Caratinga caiu no município de Piedade de Caratinga após colidir com um cabo da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig), que estava fora da área em que as normas previam para obrigatoriedade de sinalização.
A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) concluiu que a responsabilidade do acidente aéreo foi dos pilotos da aeronave. Segundo o órgão, o piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior tinha mais de 30 anos de experiência, mas não conhecia a região de Caratinga, onde o avião caiu.
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Operação em 5 estados e DF mira 'império' das bets, e Justiça ordena bloqueio de até R$ 3,4 bilhões A PC afirmou que os pilotos agiram com "imprudência e negligência" e concluiu que houve quebra do dever de cuidado por parte do piloto e do copiloto.
A investigação apontou a ocorrência de um homicídio culposo triplamente qualificado, mas o caso foi arquivado, já que os pilotos Geraldo Martins de Medeiros e Tarciso Pessoa Viana também morreram na queda. Erros que causaram a queda
Entre os principais erros, os investigadores destacaram que os pilotos foram imprudentes ao alongarem a perna base e saírem da zona de proteção, durante a aproximação para o pouso no aeródromo de Caratinga. Embora tivessem experiência de décadas em voo, os responsáveis pela condução da aeronave desconheciam o local e não fizeram contato com profissionais que operam na região, prática considerada de praxe na aviação.
O delegado Sávio Assis Machado destacou que ficou comprovado que essa perna foi alongada em 1,5 milha náutica. Segundo ele, o piloto saiu da zona de proteção 1,5 milha náutica, alongou a perna base da aproximação, fez a curva base e, no retorno, na fase de aproximação, colidiram na linha de transmissão, o que resultou no ato de imprudência.
Já o ato de negligência foi a falha na análise prospectiva, na questão do plano de voo. O piloto e copiloto não tomaram ciência das cartas que previam a linha de transmissão da Cemig, bem como não seguiram os procedimentos padrões operacionais previstos para a aeronave.
A perna base é a parte do circuito de tráfego de aeródromo normalmente perpendicular ao eixo da pista, onde a aeronave se prepara para entrar na reta final até o pouso, segundo definição da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo a PC, os pilotos puderam ter conhecimento da existência dos cabos na região.
Com isso, havia previsibilidade do resultado de um acidente, o que configura a tipificação culposa (imprudência e negligência). "Os manuais de procedimentos operacionais padrões da aeronave previam que o piloto deveria fazer o levantamento da existência de possíveis obstáculos nas proximidades.
Caso os pilotos não tivessem tido a oportunidade de fazer esse levantamento, o manual previa um voo em passagem baixa para fazer esse levantamento no momento da aproximação", afirmaram os investigadores. Entenda como foi o acidente aéreo com Marília Mendonça
O delegado de Caratinga, Ivan Lopes, afirmou, na ocasião, que as investigações descartaram a ocorrência de falha mecânica, mal súbito dos pilotos ou outra causa que pudesse ter contribuído para o acidente. De acordo com os investigadores, como tinha experiência em voos mais longos, o piloto pode ter "alongado" a perna da aproximação pensando na "comodidade dos passageiros", mas sem ter conhecimento da região do aeródromo nem das cartas operacionais devidas.
O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) afirmou, em maio de 2023, que o avião saiu do Aeródromo Santa Genoveva, em Goiânia, com destino ao Aeródromo de Caratinga (MG), às 16h02. Na fase de aproximação, a aeronave colidiu contra uma linha de distribuição de energia, tendo danos substanciais, que ocasionou lesões fatais a todos os passageiros a bordo.
O documento apontou uma "avaliação inadequada" pelo piloto no momento da aproximação para pouso, “uma vez que a perna do vento foi alongada em uma distância significativamente maior do que aquela esperada para uma aeronave de 'Categoria de Performance B'".
Marília Mendonça
O Globo