Marília Arraes no PDT acirra disputa ao Senado na chapa de Lula em Pernambuco

 

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A ex-deputada federal Marília Arraes comunicou à presidência nacional do Solidariedade na sexta-feira que deixará o partido para disputar o Senado em Pernambuco pelo PDT. A filiação na nova sigla está prevista para 12 de março. Líder nas pesquisas, Marília afirmou que a candidatura “não tem volta”. A movimentação ocorre em meio a uma disputa pela composição da chapa que será encabeçada pelo prefeito de Recife, João Campos (PSB), com o apoio do PT.

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— Hoje assumo a responsabilidade. Não tem volta atrás. Eu não tenho direito de fazer isso com mais de 40% da população que quer que a gente esteja no Senado — disse a ex-deputada, em referência à pesquisa Datafolha realizada no mês passado.

Nas redes sociais, Marília também reforçou o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao prefeito João Campos, que é pré-candidato ao governo estadual.

Na chapa de Campos, a única definição ao Senado é a candidatura à reeleição do senador Humberto Costa, dada como certa pelo diretório petista. Já a segunda vaga tem uma corrida aberta na qual Marília buscará espaço: o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos) é visto com bons olhos por Lula, enquanto ala do governo Campos preferem Miguel Coelho (União Brasil). Em ambos os casos, a costura ampliaria o leque de alianças de João Campos.

Peso das pesquisas

Aliados de Marília acreditam que sua liderança nas pesquisas torna praticamente “insustentável” uma chapa lulista sem a presença da ex-deputada, que já integrou os quadros do PT.

O PSB foi aliado de primeira hora de Lula na eleição de 2022 e cobra apoio exclusivo de Lula a Campos, que é presidente nacional do partido. Nesse cenário, é esperado que o presidente debata a segunda vaga da chapa com o aliado.

Não está descartado, porém, que Lula tenha um palanque duplo no estado. A atual governadora, Raquel Lyra, migrou do PSDB para o PSD para se aproximar do petista. Apesar de comandar três ministérios no governo Lula, o partido de Gilberto Kassab tem três pré-candidatos à Presidência: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grando do Sul). Nesse caso, Lyra também teria um palanque duplo.

A primeira pesquisa Datafolha no estado este ano, divulgada em fevereiro, dificulta a costura de Campos com a direita. Os dados mostram Marília com liderança consolidada em todos os cenários testados, variando entre 36% e 41% das intenções de voto. Alinhada à esquerda desde a juventude, ela aparece à frente inclusive de Humberto Costa, que pontua entre 24% e 26%.

Dados da pesquisa de intenção de voto em Pernambuco

Editoria de Arte

Rival política de Lyra, Marília deixou o PT em 2022 em meio a disputas internas. Ela anunciou a pré-candidatura ao Senado em outubro do ano passado, em evento com a presença de Campos, que é seu primo.

Antes do resultado da pesquisa, aliados de Campos avaliavam que a permanência dela em um partido de menor capilaridade atrapalharia as tratativas. A aposta era a de que a ex-petista optaria por uma candidatura “avulsa”, o que é rechaçado por ela. A filiação ao PDT abre, portanto, novas possibilidades de costura na chapa.

— Eu e João disputamos projetos antagônicos durante muito tempo e convergimos quando houve a necessidade de combater o bolsonarismo. Nos apoiamos nas eleições de 2022 e 2024. Sou a única mulher cotada para compor a chapa dele, que vai disputar contra uma governadora e uma vice, e estou liderando todas as pesquisas. Qual é a razão, então, para que eu ou qualquer pessoa cogite que eu vá ser uma candidata avulsa? — disse Marília ao GLOBO no mês passado.