Marco Aurélio Carvalho: “Lula não tem o que esconder e nós sabemos quem é o bandido dessa história”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou, em entrevista à TV 247, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus familiares concordaram em disponibilizar informações bancárias, fiscais e de outras naturezas para permitir o exame de suas movimentações patrimoniais e financeiras. Segundo ele, a iniciativa representa uma resposta às acusações dirigidas à família presidencial e ao desafio lançado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante o debate promovido pela Band.

Carvalho, que também integra a coordenação da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que o presidente pretende levar adiante a proposta de abertura dos sigilos, inclusive aceitando as condições apresentadas por seu adversário.

“Se as condições são essas, nós vamos cumprir todas, por mais absurdas que sejam, porque interessa ao país saber quem é bandido. E nós sabemos muito bem que o presidente Lula não é. Nós sabemos quem é o bandido dessa história”, declarou, ao relatar a posição do presidente.

Segundo o advogado, a disposição de apresentar informações à Justiça não surgiu apenas durante a disputa eleitoral. Ele afirmou que, no início do ano, Lula já havia solicitado que a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, comunicasse às autoridades a intenção do filho de autorizar voluntariamente o acesso a seus dados.

De acordo com Carvalho, a manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, antes mesmo de haver um pedido formal de quebra de sigilo por parte dos investigadores.

“O presidente Lula já havia pedido para mim, no começo deste ano, levar ao conhecimento do ministro André Mendonça e também do diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei, a intenção voluntária e espontânea do Fábio abrir o seu sigilo fiscal, bancário e telemático”, explicou.

O advogado sustentou que essa iniciativa demonstra a disposição de Fábio Luís de colaborar com as investigações. Posteriormente, segundo seu relato, a defesa foi surpreendida por um pedido de quebra de sigilo apresentado pela Polícia Federal e pelo vazamento de informações pessoais de seu cliente.

Carvalho classificou a divulgação desses dados como clandestina e criminosa, mas afirmou que, na avaliação da defesa, o conteúdo divulgado não revelou irregularidades.

“Fomos surpreendidos depois com o pedido de quebra e com vazamento clandestino e criminoso dos dados do Fábio, mas foi bom, porque no final das contas esse vazamento é absolutório, ele confirma que não tem absolutamente nenhuma irregularidade na atuação pessoal e profissional do Fábio”, declarou.

A avaliação sobre o significado dos documentos é apresentada pela defesa e não equivale, por si só, a uma conclusão judicial sobre os fatos investigados.

O advogado explicou que a iniciativa foi ampliada após o debate presidencial da Band, quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a apresentar suas informações financeiras e manifestou disposição de fazer o mesmo.

Segundo Carvalho, o presidente também pediu que a primeira-dama e seus filhos participassem da iniciativa. Para viabilizar a autorização, o advogado entrou em contato com os familiares e reuniu procurações que permitiriam a Lula formalizar a oferta de acesso aos dados.

“Recentemente, em virtude do debate da Band, o presidente apresentou também a sua disposição voluntária e espontânea de quebrar o seu próprio sigilo, foi acompanhado pela nossa primeira-dama e pediu que os filhos fizessem a mesma coisa”, afirmou.

Carvalho explicou que a decisão exigia a concordância individual de cada familiar, uma vez que o presidente não poderia autorizar, por iniciativa própria, o acesso a informações protegidas pelo sigilo de terceiros.

“Procurei todos eles e inclusive dei ao presidente, ainda no dia de ontem, todas as procurações lhe conferindo amplos poderes para ele poder oferecer a quebra de sigilo dos seus filhos”, relatou.

A apresentação das procurações, segundo o advogado, representa uma etapa necessária para formalizar a disposição da família. A efetiva disponibilização das informações dependeria dos procedimentos legais e administrativos aplicáveis.

Carvalho afirmou ainda que Flávio Bolsonaro teria apresentado uma série de condições para aceitar a proposta de abertura dos sigilos. Na interpretação do advogado, o candidato do PL esperava que as exigências levassem Lula a desistir do desafio.

“O Flávio resolveu fazer uma série de recomendações, de exigências, achando que no final das contas o presidente Lula ia desistir dessa ideia”, disse.

Segundo Carvalho, a resposta de Lula foi manter a proposta e aceitar as condições apresentadas pelo adversário, independentemente das dificuldades que elas pudessem representar.

A discussão sobre transparência financeira ocorre em meio à disputa presidencial e às acusações que envolvem familiares dos dois candidatos. Para Carvalho, a abertura voluntária das informações permitiria deslocar o debate do terreno das insinuações para a análise de documentos.

O advogado também criticou o histórico de investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e questionou a atuação da Polícia Federal durante o governo de Jair Bolsonaro. Na sua avaliação, o ex-presidente teria interferido na estrutura de órgãos de investigação para proteger familiares e aliados.

“Se o presidente Bolsonaro, ex-presidente Bolsonaro, tivesse tratado a Polícia Federal como o presidente Lula trata, dando independência, autonomia e dignidade, o Flávio não seria candidato, ele estaria preso”, afirmou.

Trata-se de uma avaliação de Carvalho, e não de uma conclusão judicial. A existência de investigações ou suspeitas não estabelece, por si só, responsabilidade criminal.

O advogado relacionou sua crítica às mudanças realizadas nas direções da Polícia Federal e em superintendências durante o governo Bolsonaro. Segundo ele, essas alterações teriam comprometido a autonomia das investigações. A interpretação foi apresentada como parte de sua crítica à atuação do ex-presidente e à situação jurídica de seu filho.

Carvalho também afirmou acreditar que a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro estaria relacionada à busca de proteção institucional diante de possíveis investigações. Essa hipótese, entretanto, foi apresentada como uma interpretação política do advogado.

Para a defesa de Lula, o elemento central do confronto é a disposição de submeter informações financeiras e patrimoniais à análise das autoridades. Carvalho argumentou que o presidente pretende demonstrar, por meio de documentos, que não tem envolvimento com as irregularidades atribuídas a ele ou a seus familiares.

Ao reafirmar que Lula está disposto a cumprir as exigências apresentadas pelo adversário, o advogado sustentou que a abertura dos sigilos pode se transformar em um instrumento de esclarecimento público. Segundo ele, a iniciativa busca permitir que acusações feitas durante a campanha sejam confrontadas com informações verificáveis, em vez de permanecerem restritas à troca de declarações entre os candidatos.

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