O choque entre a realpolitik e o populismo doméstico nos Estados Unidos Para o observador casual da política americana, o senso comum estabelece uma regra quase imutável: o partido que ocupa a Casa Branca inevitavelmente sangra nas eleições de meio de mandato, as midterms.
Trata-se do clássico voto de protesto, um mecanismo de ajuste institucional em que o eleitorado pune o excesso de poder e calibra as ambições do Executivo. A história recente referenda essa tese.
Em 1994, o presidente americano Bill Clinton viu os republicanos varrerem as duas Casas legislativas, apenas para recuar rumo ao centro e garantir sua reeleição com folga em 1996. De forma semelhante, o presidente Barack Obama sofreu uma derrota histórica e paralisante em 2010, mas reorganizou sua coalizão demográfica e triunfou novamente em 2012.
Sob essa lente tradicional, um tropeço nas midterms é lido apenas como um hematoma temporário, não como um ferimento fatal. Contudo, a história política ensina que há derrotas que não são meros ajustes de percurso, mas abalos sísmicos que prenunciam o colapso de um paradigma.
O verdadeiro aviso para a direita americana não reside nos percalços reversíveis de Clinton ou Obama, mas no desastre estrutural sofrido por George W. Bush em 2006.
Aquelas eleições não representaram uma insatisfação passageira com a economia, mas o atestado de óbito de uma era de intervencionismo desenfreado. A fadiga profunda com a Guerra do Iraque e o esgotamento do capital político da administração republicana criaram um vácuo de poder colossal.
Esse espaço pavimentou a vitória esmagadora da oposição em 2008 e abriu as portas para uma transformação estrutural sem precedentes no país. A partir do início da década seguinte, os Estados Unidos mergulharam em um processo acelerado de reconfiguração institucional…
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O Antogonista