A influenciadora Franciny Ehlke deu à luz sua primeira filha, Zara, fruto do relacionamento com o empresário Tony Maleh, e repercutiu nas redes sociais ao mostrar um momento de preparação antes do parto. Pouco antes de passar por uma cesariana, ela apareceu se maquiando na maternidade e brincou: "Acharam que eu ia parir feia?".
A cena reacendeu uma discussão que vai além da escolha de se produzir para a chegada de um filho: qual é o papel da beleza e da autoestima na experiência da maternidade? Jennifer Lawrence fala sobre cirurgia após a gravidez: o que muda no corpo depois da maternidade?
Saúde mental na gravidez: como identificar a depressão e quais cuidados são necessários Para algumas mulheres, estar maquiada, com os cabelos arrumados ou usando uma roupa especial durante o parto representa mais do que uma preocupação estética.
Esses cuidados podem ser uma maneira de manter hábitos e referências pessoais em uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e na rotina. O ponto central é diferenciar uma escolha que proporciona bem-estar de uma exigência alimentada por cobranças externas.
A especialista em saúde mental Priscila Telles explica que manter determinados hábitos relacionados à aparência pode ajudar algumas mulheres a atravessar as transformações da maternidade sem deixar de lado aspectos importantes de sua personalidade. "Durante a gestação e o parto, a mulher passa por transformações muito intensas, e é natural que também busque maneiras de se reconhecer nesse novo momento.
Para algumas, a maquiagem representa familiaridade, expressão pessoal e até uma sensação de segurança. Não é necessariamente sobre querer estar bonita para os outros, mas sobre sentir-se bem consigo mesma.
O importante é que essa escolha seja espontânea, sem cobranças externas", analisa. A especialista em saúde mental Mariellen Freitas chama atenção para a importância de não associar a chegada de um filho ao abandono da individualidade feminina.
A maternidade traz novas responsabilidades, mas não apaga os interesses, os desejos e os cuidados que já faziam parte da vida da mulher. "A mulher não deixa de ser mulher quando se torna mãe.
Ela continua tendo sua personalidade, seus gostos, sua vaidade e suas necessidades emocionais. Um ritual de beleza antes do parto pode representar uma forma de autocuidado e acolhimento.
Mas precisamos ter cuidado para não transformar isso em mais uma obrigação. A mulher não precisa estar maquiada, arrumada ou apresentar uma determinada aparência para ser valorizada nesse momento", destaca.
O episódio também ilustra as cobranças relacionadas à aparência feminina durante a maternidade. Enquanto algumas mulheres são questionadas por manterem cuidados estéticos durante a gestação e o parto, outras enfrentam a pressão para recuperar o corpo de antes da gravidez.
Nesse contexto, vaidade e autocuidado são vividos de maneiras diferentes por cada mulher.
O Globo