Manifestações pelo país abrem caminho para a virada de Lula

Manifestações pelo país abrem caminho para a virada de Lula - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Neste domingo, 18 de outubro de 2026, multidões ocuparam avenidas e praças em capitais e cidades de todos os tamanhos, do Rio a Curitiba, de Salvador a Brasília. Trabalhadores, estudantes, famílias e artistas devolveram à maioria popular a visibilidade que lhe faltava na reta final da eleição presidencial.

Gigante! Ato musical pela democracia no Rio de Janeiro.Vídeo: @arkafan / Mídia NINJA pic.x.com/KQRC5EKr2H— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) 18 de outubro de 2026 O efeito imediato é eleitoral.

As pesquisas mostram empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o presidente em alta, o adversário em queda e a aprovação do governo melhorando, e as ruas empurram esse movimento. O efeito maior vem depois.

Uma força social nova nasce do encontro entre a militância histórica e uma juventude que descobriu a rua, e essa força não se dissolve no dia seguinte à votação. Chegar ao fim de um mandato com mobilização desse tamanho em torno do próprio nome é raro.

Jair Bolsonaro não tinha isso em 2022, e Dilma Rousseff não tinha isso em 2014, dois anos antes de a direita tomar as ruas pelo impeachment. Vista aérea da mobilização em apoio a Lula no Centro de Curitiba neste domingo, 18 de outubro de 2026 (Leonardo Henrique/Brasil de Fato)

Desde junho de 2013 a direita disputava com vantagem a rua e as redes. As manifestações deste outubro de 2026 encerram esse ciclo defensivo da esquerda.

Em artigo publicado neste domingo no Substack, o cientista político Jairo Nicolau escreveu que o país vive a “maior mobilização das eleições brasileiras neste século”. Segundo ele, os atos “são chamados por blocos de carnaval, associações atléticas, grêmios estudantis, fandoms de artistas e coletivos de todo tipo”, e levam milhares de jovens à primeira passeata da vida.

Nicolau comparou o primeiro turno de 2022 com o de 2026 e viu que Lula perdeu mais nas cidades de até 24 mil habitantes e quase nada nas metrópoles. Ele atribui o recuo no interior à chegada recente da internet móvel 4G às zonas rurais, onde a direita tem redes mais organizadas.

Os números pedem cuidado, porque o Brasil das cidades pequenas é muito diverso. Flávio Bolsonaro avançou no Sul e no Sudeste, e Lula manteve larga vantagem no Nordeste e cresceu em capitais do Norte, como Manaus e Belém.

Caminhada em apoio a Lula entre a Barra e Ondina, em Salvador, neste domingo, 18 de outubro de 2026 (Reprodução/Redes sociais) As ruas também deixam uma lição ao governo.

O terceiro mandato de Lula garantiu estabilidade econômica, a menor inflação em décadas e os recursos para reconstruir o Rio Grande do Sul, mas concentrou a comunicação na Secretaria de Comunicação Social da Presidência e deixou de lado os partidos, os sindicatos e os movimentos que sustentam o projeto.

Uma maioria duradoura exige ainda reconquistar a classe média. O conflito distributivo do país não opõe os setores médios aos mais pobres, e sim ambos à elite financeira do topo da pirâmide, que precisa contribuir com a repactuação nacional.

Para que a energia desta campanha vire mudança permanente, a participação precisa continuar depois das urnas, nas associações comunitárias e nos instrumentos digitais de fiscalização do Estado. Neste 18 de outubro de 2026, o povo brasileiro mostrou que a democracia está viva e pronta para um novo ciclo.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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