247 – A Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB), por meio de sua presidente, Laís Garcia, publicou nesta quarta-feira (28) uma carta aberta direcionada ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, a entidade parabeniza o mandatário pela vitória nas urnas e aproveita a ocasião para reivindicar a paridade de gênero e a presença feminina no alto escalão do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A carta começa atribuindo a vitória eleitoral “graças ao apoio inequívoco do eleitorado feminino”. Em seguida, a AMDB é direta em seu principal pleito: a entidade cobra a “nomeação de uma mulher para Ministra das Relações Exteriores, pela primeira vez na história”.
Para embasar a cobrança, o texto relembra discursos recentes de Lula, nos quais ele exaltou a relevância feminina para a sua reeleição e o futuro governo. A associação destacou uma fala específica do presidente feita na Organização das Nações Unidas (ONU).
Na ocasião, ele declarou que o Brasil está em processo de construção de uma nação onde “as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”. Relembrando essas palavras, a AMDB foi enfática no documento: “Essas promessas precisam se tornar realidade”.
Além da liderança máxima do MRE, a entidade defende a institucionalização de “políticas efetivas de igualdade de gênero de maneira transversal”. A carta solicita um compromisso firme do governo com a nomeação paritária para cargos de chefia no Itamaraty — incluindo postos no exterior de livre nomeação presidencial —, a reforma da carreira diplomática e a ampliação das oportunidades de ingresso e ascensão profissional para as mulheres.
O objetivo, segundo o texto, é promover uma “renovação mais ampla dos espaços de formulação e decisão da política externa”. Desigualdade em números – Anexo à carta, a AMDB apresentou um quadro estatístico detalhando a atual sub-representação feminina no Itamaraty.
Os dados apontam que a participação de mulheres diminui progressivamente nos níveis mais altos de gratificação dentro da Secretaria de Estado (SERE). No exterior, o cenário de desigualdade persiste.
De acordo com o levantamento (com base no ano de 2025), as mulheres chefiavam apenas 18% do total de postos (35 de 195). Esse índice se reflete nas categorias: 20% das embaixadas e missões (28 de 140) e 17,2% dos consulados (10 de 58).
A distribuição regional dessas chefias femininas é liderada pela América Central e Caribe (28,6%), seguida por Europa (25%) e África (23,5%), com os menores índices registrados na América do Sul (11,5%) e na Ásia e Oceania (4,9%).
Brasil 247