Manhã no mercado: Ativos locais podem passar por correção, enquanto atenções se voltam para nova equipe econômica e Galípolo

Manhã no mercado: Ativos locais podem passar por correção, enquanto atenções se voltam para nova equipe econômica e Galípolo - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Após o “banho de sangue” nos mercados locais em reação à inesperada reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode haver espaço para alguma correção nesta terça-feira. As atenções dos investidores devem se concentrar na formação da nova equipe econômica e para eventuais sinais de compromisso do petista com uma política fiscal capaz de equilibrar as contas públicas.

Ainda hoje, o mercado deve acompanhar de perto a entrevista coletiva do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta manhã. Com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a próxima semana, a comunicação de Galípolo ganha ainda mais importância.

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu muitos participantes do mercado, que precisaram desfazer suas posições e já não esperam um novo corte de juros. Neste cenário, os investidores devem ficar atentos ao tom adotado pelo presidente da autoridade monetária.

Na formação da nova equipe, Lula terá o desafio de acomodar aliados que não conseguiram se eleger, mas tiveram papel importante na atual gestão, além de abrir espaço para lideranças que foram estratégicas na reta final da campanha. Ao mesmo tempo, diante de um Congresso ainda mais conservador, o presidente precisará negociar com partidos de centro para garantir a governabilidade.

Segundo apurou o Valor, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é visto por interlocutores como um quadro técnico competente, com bom trânsito na área econômica. No entanto, uma eventual ida para o governo federal esbarraria na dificuldade de deixar o comando do Estado.

Outro nome cotado para a Fazenda é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Sua ida para a pasta poderia fortalecer o papel de interlocutor do governo junto ao mercado.

Na avaliação de participantes do mercado, a reação dos investidores ao resultado eleitoral foi um pouco exagerada. A bolsa chegou a cair mais de 17% no início dos negócios, levando a B3 a acionar o "circuit breaker" e interromper as negociações por 30 minutos.

Ao fim do pregão, o Ibovespa encerrou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, com perdas de R$ 660 bilhões em valor de mercado. Nos juros futuros, os limites de oscilação diária foram ampliados três vezes, enquanto o Tesouro Nacional precisou intervir duas vezes no mercado de títulos públicos.

Já o dólar à vista disparou 8,21%, a R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999. Nesta manhã, porém, os ativos no exterior ensaiam alguma recuperação.

Por volta das 8h15, o EWZ subia 0,82%, enquanto os recibos de ações (ADRs) da Petrobras negociados em Nova York recuavam 0,40% e os da Vale avançavam 0,92%. Unsplash

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →