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Os israelenses vão às urnas para eleições parlamentares divididos sobre a permanência de Benjamin Netanyahu no poder. O primeiro-ministro está no cargo desde 2009, a não ser por um breve hiato em 2021 e 2022.
Antes disso, também governou Israel por um período nos anos 1990. Mais longevo premier da história do país, ele lidera uma coalizão de extrema-direita.
O Tribunal Penal Internacional pediu sua prisão por crimes de guerra na Faixa de Gaza. Visto como tóxico e quase um pária internacional, Netanyahu é diretamente responsável pela deterioração da imagem de Israel nos EUA, na Europa e em outras partes do mundo.
Opositores e apoiadores – Opositores acusam Netanyahu de tentar minar os alicerces da democracia israelense, como em suas ações para enfraquecer a Suprema Corte. Há ainda os casos de corrupção e as suspeitas de que seu governo falhou ao impedir o atentado terrorista do Hamas — Netanyahu teria sido alertado de que o ataque ocorreria e, apesar disso, a segurança israelense não estava preparada.
Já seus defensores o veem como uma espécie de rei, responsável por defender as principais bandeiras da direita, ou extrema direita, israelense. Tentarei explicar brevemente como é o cenário eleitoral em Israel na votação desta terça-feira.
Knesset – Os israelenses elegerão 120 membros para o Knesset, o Parlamento do país. A votação se dá por meio de listas partidárias, uma relação elaborada pelas siglas com uma ordem de candidatos.
Os votos recebidos definem o número de cadeiras ocupadas por cada partido, desde que a legenda conquiste ao menos 3,25% dos votos, o que equivale a quatro assentos. Como são muitos partidos, é necessária a formação de uma coalizão para conseguir a maioria de 61 cadeiras.
No caso, há duas coalizões: uma de direita e de extrema-direita, liderada por Netanyahu, e outra de direita, centro e esquerda, liderada pelo ex-comandante militar Gadi Eisenkot. Uma pesquisa do canal 12 de Israel projeta quantas cadeiras cada coalizão deve alcançar:
Os números indicam que tanto a coalizão de Netanyahu como a da oposição não devem alcançar a maioria. Para a oposição, haveria a alternativa de atrair o Raam.
O partido sempre demonstrou mais disposição de integrar coalizões do que a Lista Conjunta. Talvez não haja acordo, mas, ainda assim, pode ser que concordem em aceitar Eisenkot como premiê, mesmo sem integrar a coalizão.
Netanyahu, por sua vez, dificilmente terá maioria. Mas continuará primeiro-ministro, ainda que interino, se a oposição não conquistar o mínimo de 61 cadeiras.
Essa parece ser a sua maior chance e já ocorreu em outras eleições no passado.
O Globo