Cerca de 350 pessoas foram presas em Paris entre domingo e a madrugada desta segunda-feira, em meio a uma onda de violência que deixou estabelecimentos comerciais saqueados e expôs falhas na atuação das forças de segurança.
Eleito com o sonho de revitalizar a França: Macron vê mandato terminar em crise sistêmica e com protestos pelo país Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Diante da crise, o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez, que reconheceu uma "perda de controle" da polícia em algumas cidades. Segundo o prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, cerca de 30 estabelecimentos comerciais foram saqueados na capital.
Mais de 350 pessoas são presas em Paris após onda de distúrbios, e Macron rejeita renúncia de ministro do Interior AFP Em todo o país, 2.331 pessoas foram detidas durante o fim de semana, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin. Quase mil policiais e gendarmes ficaram feridos nos confrontos, e dezenas de pessoas foram colocadas em prisão preventiva. Macron cobra explicações após ministro admitir falhas Nuñez apresentou sua renúncia no domingo, depois dos episódios de violência registrados durante protestos contra o alto custo de vida. Macron, porém, decidiu mantê-lo no cargo. Segundo o Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, a decisão considerou a necessidade de preservar o comando das forças de segurança diante da situação. Apesar de rejeitar a saída do ministro, o presidente reconheceu "falhas na antecipação e na inteligência" que favoreceram os distúrbios. Macron pediu que Nuñez esclareça as deficiências que permitiram a escalada da violência e implemente mudanças na atuação policial. "Para pôr fim aos episódios de formação de barricadas e saques, (Macron) também pediu ao ministro do Interior que implemente o mais rápido possível, nas ruas, novos métodos operacionais para as forças de segurança interna no combate aos desordeiros", informou o Eliseu. Em entrevista à rádio France Inter, nesta segunda-feira, Nuñez admitiu que houve "uma falta de previsão" na mobilização policial no sábado. Segundo o ministro, o número de agentes mobilizados ficou muito abaixo do necessário para enfrentar os manifestantes envolvidos nos tumultos e os grupos que participaram dos saques. Os episódios de violência provocaram críticas de políticos da oposição, que pediram a saída de Nuñez após os piores distúrbios urbanos registrados na França em vários anos.
O Globo