A maioria das frutas pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) ficou mais barata em setembro de 2026 em Belém. Das 13 frutas acompanhadas em feiras livres e supermercados da capital paraense, 7 apresentaram redução de preços em relação a agosto. Apesar do alívio pontual para o orçamento das famílias, o limão registrou a maior alta mensal, de 50%, e acumula aumento de 62,31% desde dezembro de 2025.
Entre as frutas que ficaram mais baratas em setembro estão o melão amarelo, com redução de 3,96%; a melancia, com queda de 3,02%; e o mamão, que apresentou recuo de 2,04%. Também tiveram diminuição de preços o abacaxi (-1,55%), a acerola (-1,42%), a tangerina (-1,34%) e a banana-prata (-1,30%).
Na contramão das reduções, além do limão, ficaram mais caras a goiaba vermelha, com alta de 5,01%; a laranja-pera (4,42%); a manga rosa (1,22%); o maracujá (1,03%); e o abacate (0,80%).
Limão acumula alta de 88% em 12 meses
O levantamento mostra que a queda registrada em setembro não foi suficiente para reverter a tendência de aumento dos preços ao longo do ano. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, dez das 13 frutas pesquisadas ficaram mais caras.
Além do limão, que acumulou alta de 62,31%, destacam-se a manga rosa, com aumento de 23,07%; o mamão, com 16,29%; e a melancia, com 11,50%. Também houve elevação nos preços do abacaxi (2,66%), da goiaba vermelha (2,28%), do melão amarelo (2,18%), do maracujá (1,89%), da acerola (0,93%) e da banana-prata (0,33%).
Por outro lado, três frutas apresentaram redução no acumulado do ano. O abacate registrou a maior queda, de 47,43%, seguido pela tangerina (-15,33%) e pela laranja-pera (-8,42%).
Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o limão também lidera as altas, com aumento de 88,53%. A acerola aparece em seguida, com 20,67%, seguida pela tangerina (18,32%), pelo melão amarelo (15,18%), pelo maracujá (13,70%) e pela manga rosa (12,15%).
No mesmo período, também ficaram mais caras a goiaba vermelha (9,91%), o abacaxi (7,89%), a banana-prata (7,30%) e o mamão (3,35%). As reduções foram registradas no abacate (-6,70%), na melancia (-6,08%) e na laranja-pera (-3,11%).
Safra pode favorecer redução dos preços
Segundo Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA, a queda observada em setembro representa um alívio pontual para os consumidores. Ele explica que o aumento da produção e da disponibilidade de frutas durante a safra pode contribuir para preços mais acessíveis e melhorar a qualidade dos produtos comercializados.
“Durante a safra, o crescimento da produção e da disponibilidade de algumas frutas nos mercados e feiras costuma favorecer preços mais acessíveis, produtos de melhor qualidade e maior consumo pelas famílias”, afirma.
O especialista ressalta, porém, que a oferta não é o único fator que determina os preços. “Custos de transporte, condições climáticas, origem dos produtos e funcionamento do abastecimento também interferem nos valores finais”, explica.
El Niño pode pressionar os preços
Outro fator que exige atenção é a possibilidade de efeitos do El Niño sobre as condições climáticas na Região Norte. De acordo com Everson Costa, o fenômeno pode favorecer temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem, com redução ou irregularidade das chuvas.
“Essas condições podem prejudicar o desenvolvimento das frutas, reduzir a produtividade e elevar os custos de irrigação, pressionando o abastecimento e os preços ao consumidor”, alerta.
O supervisor técnico pondera que a intensidade dos impactos depende da duração das condições climáticas adversas, das regiões produtoras e das características de cada cultura. Por isso, não é possível atribuir diretamente ao El Niño os aumentos identificados na pesquisa.
Apesar da redução mensal registrada em setembro, o Dieese/PA avalia que ainda é necessário acompanhar o comportamento dos preços nos próximos meses. A continuidade do alívio para os consumidores dependerá da oferta de frutas, das condições de produção e da regularidade do abastecimento.
“A continuidade desse alívio dependerá da oferta nos próximos meses e das condições de produção e abastecimento, exigindo atenção aos riscos climáticos que podem limitar novas reduções ou provocar a retomada das altas”, conclui Everson Costa.
Preços médios das frutas em Belém — setembro de 2026 (Fonte: Dieese/PA)
- Abacate (kg): R$ 8,78
Variação no mês: -6,70% Variação no ano: -47,43% Variação em 12 meses: 0,80%
- Abacaxi (unidade): R$ 8,89
Variação no mês: 7,89% Variação no ano: 2,66% Variação em 12 meses: -1,55%
- Acerola (kg): R$ 9,75
Variação no mês: 20,67% Variação no ano: 0,93% Variação em 12 meses: -1,42%
- Banana prata (kg): R$ 9,11
Variação no mês: 7,30% Variação no ano: 0,33% Variação em 12 meses: -1,30%
- Goiaba vermelha (kg): R$ 9,43
Variação no mês: 9,91% Variação no ano: 2,28% Variação em 12 meses: 5,01%
- Laranja pera (kg): R$ 6,85
Variação no mês: -3,11% Variação no ano: -8,42% Variação em 12 meses: 4,42%
- Limão (kg): R$ 11,67
Variação no mês: 88,53% Variação no ano: 62,31% Variação em 12 meses: 50,00%
- Mamão (kg): R$ 8,64
Variação no mês: 3,35% Variação no ano: 16,29% Variação em 12 meses: -2,04%
- Manga rosa (kg): R$ 11,63
Variação no mês: 12,15% Variação no ano: 23,07% Variação em 12 meses: 1,22%
- Maracujá (kg): R$ 10,79
Variação no mês: 13,70% Variação no ano: 1,89% Variação em 12 meses: 1,03%
- Melancia (kg): R$ 4,17
Variação no mês: -6,08% Variação no ano: 11,50% Variação em 12 meses: -3,02%
- Melão amarelo (kg): R$ 7,51
Variação no mês: 15,18% Variação no ano: 2,18% Variação em 12 meses: -3,96%
- Tangerina (kg): R$ 10,27
Variação no mês: 18,32% Variação no ano: -15,33% Variação em 12 meses: -1,34%
O Liberal