Maior do país, percentual de ‘não voto’ para o governo Rio vira peça-chave em possível segundo turno

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Rio registrou, na eleição para governador, o maior percentual de “não voto” do país, junto com o Mato Grosso do Sul. No estado em que Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) disputarão o segundo turno caso a Justiça não anule antes os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), 35,3% dos eleitores se abstiveram, votaram em branco ou anularam o sufrágio no domingo. Rio: Campanha de Paes acusa Garotinho de 'manipular' eleição, muda de posição e pede ao TSE para manter seus votos Vai ter segundo turno? Por que Garotinho é decisivo? Quando haverá definição? Veja perguntas e respostas sobre impasse no Rio A abstenção de 23,3% vale, claro, para todos os cargos em disputa, já que as pessoas deixaram de comparecer às urnas. O que chama atenção no caso fluminense é que, enquanto 4,97% anularam ou optaram pela tecla “branco” na hora de escolher um candidato a presidente, 11,9% o fizeram quando era a hora de definir um governador. É mais que o dobro. Esse contingente de eleitores, visto como um sintoma dos inúmeros desgastes políticos do estado nos últimos dez anos, virou peça central para o possível segundo turno. Nos últimos dias, além do discurso jurídico que busca evitar o julgamento imediato do caso Garotinho — que daria vitória a Ruas no primeiro turno —, a campanha de Paes traçou uma série de diagnósticos sobre o mau resultado e o que atacar nas próximas semanas. Reduzir o percentual de não voto é um dos objetivos basilares. A principal surpresa foi o desempenho de Ruas na capital, cidade em que Paes foi eleito quatro vezes prefeito. Há dois anos, na eleição municipal, o candidato do PSD conseguiu 900 mil votos a mais que o adversário do PL, Alexandre Ramagem. No domingo, ficou à frente com menos da metade da diferença quando se analisa apenas o município, com cerca de 410 mil. Ampliar essa distância na capital é considerado o caminho para tentar a difícil virada. No total do estado, Ruas conseguiu 564 mil sufrágios a mais que o adversário, o que resultou num placar de 49,2% a 42,8%. Cenário nacional Editoria de Arte Fator “22” Na interpretação de aliados de Paes, a nacionalização impulsionou o nome do PL, que teria conseguido o voto de eleitores que, apesar de serem simpáticos ao ex-prefeito, preferiram em cima da hora votar para governador em quem estava vinculado ao presidencial Flávio Bolsonaro — que venceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), coligado com Paes, por 13 pontos no estado. Um exemplo que tem sido citado é o de Campo Grande, na Zona Oeste, bairro mais populoso do país. O último mandato do ex-prefeito tocou projetos de grande magnitude na região, como um plano de mobilidade que inclui diversas obras. Na hora do voto, no entanto, Ruas venceu em algumas das zonas que abrangem o local, onde Flávio foi bem mais votado que Lula. Esse tipo de percepção faz a campanha acreditar que há espaço para virar votos, embora se reconheça que o segundo turno presidencial tende a dificultar o esvaziamento da dobradinha “22” entre Flávio e Ruas. Dia normal x Brasília Na terça-feira, Paes deu andamento à campanha apesar do rolo jurídico em que o estado está envolvido. Ele visitou cidades do interior onde obteve seus melhores resultados nas urnas, como Comendador Levy Gasparian, Três Rios, Rio das Flores e Valença. Por lá, explicou por que mudou de opinião sobre o que fazer com os votos de Garotinho. — O Garotinho estava na urna, as pessoas puderam votar nele, portanto o que a gente defende é que se realize o segundo turno. Para respeitar a democracia, é fundamental que valha a vontade popular do último domingo — alegou o candidato do PSD. — Fizemos a ação (contra Garotinho antes da eleição) com muita consciência e convicção, alertando para que nós não tivéssemos esse imbróglio. Temos (o imbróglio) justamente porque não deram ao eleitor a possibilidade de conhecer claramente qual era a regra. Paes disse ainda que não teme uma eventual debandada de aliados após terminar atrás de Ruas no primeiro turno. Um dos primeiros acenos ao candidato do PL veio do deputado federal reeleito Dr. Luizinho (PP), o mais votado do estado e presidente local do partido. Em entrevista ao programa CBN Rio, ele afirmou que a eleição está decidida, descartou a realização de um segundo turno e tratou Ruas como governador eleito. — Douglas Ruas é o governador eleito do estado, não teremos segundo turno — disse. O líder do primeiro turno, por sua vez, foi na trça-feira a Brasília. Ele irá acompanhar de perto os desdobramentos do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ruas já tem um vídeo de propaganda pronto para exibir na sexta-feira, primeiro dia do horário eleitoral caso haja segundo turno. Paes gravou materiais no mesmo dia no interior.

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