A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma largada de segundo turno concentrada no Sudeste, com uma sequência de compromissos no Rio de Janeiro e em São Paulo a partir de sexta-feira. O roteiro marca uma mudança de fase na campanha: os primeiros dias após a votação de domingo estão sendo dedicados à ampliação do arco de apoios, enquanto o fim da semana deverá marcar a retomada das agendas de rua, com atenção a regiões onde o candidato ainda identifica espaço para crescer sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O próprio Flávio antecipou nesta terça-feira o desenho inicial da agenda. Segundo o candidato, a previsão é passar sexta e sábado no Rio, seguir para São Paulo no domingo e retornar a Brasília na terça-feira. Ele ponderou, no entanto, que a programação ainda não está fechada. — Sexta-feira, Rio de Janeiro. Sexta e sábado no Rio, domingo em São Paulo e, depois da segunda-feira, aqui em Brasília. Mas não está batido o martelo, não. Eu vou divulgar com detalhes quando a gente fechar a agenda — afirmou. Até quinta-feira, o foco permanece nas articulações políticas em Brasília. Nesta quarta, Flávio terá uma sequência de reuniões com partidos e parlamentares eleitos. Pela manhã, a previsão é receber representantes da federação formada por União Brasil e PP; em seguida, integrantes da bancada eleita pelo Novo; e, à tarde, deputados e senadores eleitos pelo próprio PL.
Republicanos e Podemos também discutem internamente a posição que adotarão no segundo turno depois de conversas iniciais com a campanha. — Conversamos já tanto com Republicanos quanto com o Podemos. Na primeira conversa, eles vão voltar para suas bancadas para tomarem alguma decisão em conjunto — disse Flávio. A partir de sexta, a campanha pretende trocar as reuniões de cúpula por uma sequência de compromissos eleitorais. No Rio, principal base política de Flávio, estão previstas agendas na sexta-feira e no sábado. O cenário da disputa estadual, porém, ainda depende de uma definição da Justiça Eleitoral. Embora Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) tenham sido inicialmente anunciados para o segundo turno, a desistência de Anthony Garotinho (Republicanos) do recurso que mantinha sua candidatura sub judice pode levar a uma nova totalização dos votos e confirmar a vitória de Ruas ainda no primeiro turno. Em São Paulo, a estratégia combina a participação mais intensa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) com a tentativa de avançar sobre bolsões em que Lula preservou vantagem no primeiro turno. A primeira agenda prevista é um almoço com prefeitos no domingo, ao lado do governador, do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, do secretário Guilherme Derrite e do prefeito da capital, Ricardo Nunes. Na sequência, a campanha trabalha com a realização de uma motocarreata em São José dos Campos, onde Lula recebeu 57,35% dos votos no primeiro turno. A equipe também avalia estender a agenda até o Santuário Nacional de Aparecida, no dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O gesto ocorreria após a campanha ter enfrentado, às vésperas do primeiro turno, uma crise provocada pela circulação nas redes sociais da informação falsa de que Flávio pretendia retirar o título de padroeira concedido à santa. Flávio venceu em 606 dos 645 municípios paulistas no primeiro turno, mas Lula ficou à frente na capital e em cidades importantes da Região Metropolitana. É nesses territórios que a campanha identifica espaço para tentar ampliar a votação do candidato do PL na nova etapa da disputa. O resultado da eleição estadual oferece um argumento adicional à estratégia. Em 33 das 39 cidades paulistas vencidas por Lula, Tarcísio foi o candidato a governador mais votado. A lista inclui municípios da Grande São Paulo, o que abre para a campanha a possibilidade de tentar aproximar de Flávio eleitores que escolheram o petista para presidente, mas votaram no governador no âmbito estadual. A participação de Tarcísio será, por isso, uma das diferenças em relação ao primeiro turno. Depois de garantir a reeleição, o governador passou a participar diretamente das articulações de Flávio, tanto na busca por novos apoios partidários quanto na montagem das primeiras agendas. Nesta terça, esteve ao lado do candidato durante as conversas em Brasília e também deverá acompanhá-lo em parte da programação paulista. A estratégia de expansão não se limita, porém, aos eleitores que escolheram Lula. A campanha também pretende buscar parte dos 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e fez um apelo para que seus próprios apoiadores voltem a votar. Depois da passagem pelo Rio e por São Paulo, a previsão inicial é de que Flávio retorne a Brasília na segunda-feira.
O Globo