Mãe processa escola nos EUA após filho de 8 anos morrer engasgado com pedaço de abacaxi em refeitório
Uma mãe do estado de Nevada entrou na Justiça contra o Distrito Escolar do Condado de Clark e uma funcionária da rede pública após a morte do filho de oito anos, que se engasgou com um pedaço de abacaxi durante o almoço na escola. A ação civil foi protocolada nesta terça-feira no Tribunal Distrital dos EUA e aponta negligência no atendimento à criança.
Sem aquecimento nem água corrente: sozinho entre ruínas, aposentado de 79 anos é o último morador de prédio bombardeado na Ucrânia
Mergulhador é atacado por tubarão na Austrália e é levado de helicóptero a hospital
Segundo o processo, Amanda Corbala responsabiliza o distrito escolar e a auxiliar de educação especial Teresa Holve pela morte de seu filho, Cruzito Ruiz. O menino frequentava um programa de ensino especial na Bass Elementary School, na região sul de Las Vegas.
De acordo com a denúncia, Ruiz sofreu um traumatismo craniano aos três anos que lhe causou deficiências físicas e cognitivas. No dia 25 de fevereiro de 2025, ele estava no refeitório da escola quando começou a se engasgar com um pedaço de abacaxi.
Sinais de sufocamento
O processo afirma que o menino tentou pedir ajuda a Holve por meio de gestos, levando as mãos à boca e às costas enquanto apresentava sinais claros de sofrimento, como bochechas inchadas. Uma colega também teria alertado a funcionária de que ele não estava bem.
Mesmo assim, segundo a ação, a auxiliar orientou o garoto a ir ao banheiro. Imagens de câmeras de segurança anexadas ao processo mostram Ruiz apontando para a boca e tentando chamar atenção antes de sair do refeitório segurando o peito.
A denúncia sustenta que, embora tivesse treinamento em reanimação cardiopulmonar (RCP), Holve não identificou o quadro de sufocamento nem tentou realizar manobras de emergência.
Demora no socorro
Após chegar sozinho ao banheiro, o menino desmaiou e ficou com a pele azulada, segundo o processo. A ação afirma que cerca de cinco minutos se passaram entre o momento em que ele deixou o refeitório e o instante em que outros funcionários foram alertados por alunos de que a criança precisava de ajuda.
Funcionários tentaram usar um desfibrilador externo automático (DEA), mas o equipamento indicou que o choque não era recomendado, pois o menino já apresentava batimentos cardíacos irregulares decorrentes de hipóxia prolongada — condição causada pela falta de oxigênio no organismo.
Os serviços de emergência foram acionados, e paramédicos chegaram cerca de 15 minutos após o momento em que Ruiz deixou o refeitório. Segundo a denúncia, os socorristas removeram o pedaço de abacaxi que obstruía as vias aéreas da criança.
Lesão cerebral irreversível
Ruiz foi levado ao St. Rose Sienna Hospital, onde foi diagnosticado com lesão cerebral anóxica, que ocorre quando o cérebro fica completamente privado de oxigênio. Nesse tipo de quadro, células cerebrais começam a morrer após cerca de quatro minutos.
O menino nunca recuperou a consciência. Ele foi declarado com morte cerebral e morreu cinco dias depois, em 2 de março de 2025.
Versões divergentes
O processo também afirma que Holve apresentou relatos diferentes ao ser questionada sobre o ocorrido. Em um documento entregue no dia do incidente, ela disse não se lembrar de ter autorizado alunos a irem ao banheiro e afirmou não ter percebido sinais de sofrimento.
No dia seguinte, porém, teria relatado que o menino parecia não se sentir bem e apresentava bochechas inchadas, motivo pelo qual acreditou que ele precisava cuspir algum líquido.
A ação acusa o distrito escolar de colocar a criança “em uma situação de perigo real e específico” e de falhar no treinamento da funcionária para lidar com emergências médicas. Também sustenta que Holve agiu com “indiferença deliberada a um risco conhecido”.
Segundo o documento judicial, ao orientar o menino a se isolar no banheiro, a funcionária teria limitado o acesso dele à supervisão de adultos e à intervenção imediata, como manobras de desengasgo ou reanimação.
“Se Cruzito tivesse permanecido no refeitório supervisionado, com assistência imediata de adultos, sua probabilidade de sobrevivência e recuperação significativa teria sido substancialmente maior”, afirma a ação.
