O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o país foi alvo de 'ataques híbridos' russos nas últimas semanas. Nesse tipo de estratégia militar, são misturadas ações tradicionais com outros métodos tecnológicos e econômicos para desestabilizar outro país. Em uma coletiva de imprensa após uma reunião com os líderes dos partidos políticos representados na assembleia do país, o presidente francês disse: 'Nas últimas semanas, a ameaça, particularmente a ameaça híbrida russa, que os europeus e a França enfrentam, se intensificou'.
Ele acrescentou que acredita que 'a natureza da agressão russa está mudando', de acordo com a emissora francesa BFM. Macron citou ataques a um trem entre a Polônia e a Ucrânia, incursões de drones no espaço aéreo de países vizinhos e o ataque frustrado no aeroporto de Leipzig como exemplos de uma ameaça crescente vinda do Kremlin.
A Alemanha acusou a Rússia da tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig em agosto. Além disso, o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson se viu envolvido em uma situação de risco de segurança depois que o trem em que viajava atrás do que estava foi atingido por um drone russo na Ucrânia no último fim de semana. Em meio a isso, as primeiras eleições parlamentares na Rússia desde a invasão a Ucrânia.
Com tudo isso, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou que Moscou está planejando ataques contra os aliados da Ucrânia.
Tusk sugeriu que o Kremlin fingirá que os ataques são 'acidentais' numa tentativa de 'paralisar ou pelo menos enfraquecer a motivação dos países da OTAN' para correrem em defesa do Estado-membro que está sendo atacado.
'Existe um risco real de que drones ou outros tipos de projéteis entrem no território de um ou mais países na fronteira leste e até causem destruição. A versão oficial será de que foi um acidente e que não há motivo para a OTAN pensar em uma resposta', declarou no Parlamento polonês. FBI afirma que Rússia planeja assassinatos nos EUA e em países europeus que apoiam Ucrânia Putin e Trump na Base Conjunta Elmendorf-Richardson ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Os serviços de inteligência russos estão planejando assassinatos seletivos nos Estados Unidos e em países europeus que apoiam a Ucrânia, revelaram autoridades federais americanas pelo FBI, anunciando a acusação de cinco pessoas atualmente foragidas. 'Desde pelo menos 2024 , uma rede de indivíduos que trabalham para os serviços de inteligência da Rússia conspirou para realizar, e realizou, ataques e assassinatos em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos', afirmou o Departamento de Justiça dos EUA se referindo à Rede RIS, o braço responsável por realizar ataques no exterior, 'com foco em dissidentes e desertores russos e, mais recentemente, em nações percebidas como aliadas da Ucrânia'. James C. Barnacle Jr., chefe do escritório do FBI em Nova York, disse que a agência frustrou os planos 'através de trabalho incansável', já que membros dos serviços de inteligência russos e seus associados 'conspiraram para intimidar, ameaçar ou matar indivíduos nos Estados Unidos e em todo o mundo'. Três dos réus são membros de alto escalão da Rede RIS: Yuri Kharameev, Kirill Khrameev e Oemis Romagoz Durruthy. Os outros dois indivíduos incluídos na acusação são Yaidel Delgado Suarez e Eduardo Castro, que trabalharam juntos para recrutar pessoas residentes nos Estados Unidos com o objetivo de vigiar e tentar assassinar um proeminente dissidente russo que vivia nos Estados Unidos. 'Os réus supostamente operavam como parte de uma rede global de assassinatos que se estendia aos Estados Unidos. Repeliremos qualquer tentativa de serviços de inteligência estrangeiros de operar livremente em nosso país', disse o Procurador-Geral Adjunto John A. Eisenberg. Segundo a acusação, os associados recrutados na rede também foram solicitados a realizar atos terroristas contra infraestruturas civis e militares em países europeus que são considerados alinhados com a Ucrânia. De acordo com o comunicado, uma rede de pessoas que trabalham para os serviços de inteligência da Federação Russa conspirou, pelo menos desde 2024, para realizar e realizou ataques e assassinatos em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. O texto classificou a rede de serviços de inteligência russos como 'um braço' do aparato da Federação Russa, concebido para realizar ataques externos, incluindo assassinatos, em todo o mundo. A rede tinha como alvo anteriormente dissidentes e desertores russos, mas, mais recentemente, passou a visar nações consideradas aliadas da Ucrânia. Membros da rede tentaram recrutar várias pessoas nos Estados Unidos. As autoridades disseram que a rede recrutou neste verão um indivíduo baseado nos Estados Unidos para vigiar e assassinar um proeminente dissidente russo que acreditavam estar residindo nos Estados Unidos. A acusação afirma que uma pessoa identificada apenas como 'Residente dos EUA-1' foi enviada a dois locais associados à vítima visada e recebeu 'instruções explícitas sobre como realizar a vigilância', tendo-lhe sido prometidos US$ 1.000 e US$ 1.500 para executar o trabalho. Após realizar a vigilância e fornecer diversas fotografias e vídeos de locais associados à vítima pretendida a um dos homens acusados no processo, o residente americano recusou os US$ 40 mil oferecidos para 'eliminar' ou 'fazer desaparecer' o alvo por meio de assassinato. Quando a oferta foi rejeitada, o membro dos serviços de inteligência que a fez tentou recrutar várias outras pessoas nos Estados Unidos para concluir o trabalho, oferecendo quantias substanciais de dinheiro, segundo a acusação. O Kremlin afirmou que não comentará as alegações dos EUA de que uma rede ligada aos serviços de inteligência russos planejou assassinatos e ataques direcionados nos EUA e na Europa. 'Até que vejamos e ouçamos evidências minimamente convincentes e argumentos fundamentados, não consideramos necessário comentar essas reportagens', disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a agência de notícias Tass. Sede do FBI nos Estados Unidos. Reprodução/Wikimedia Commons
CBN