Luta pela Grande SP: Haddad e Lula fazem ato em Guarulhos, e Tarcísio vai a evento simultâneo em Cotia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os dois principais candidatos ao governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), vão intensificar a campanha na Região Metropolitana de São Paulo na reta final do primeiro turno. A duas semanas da eleição, eles farão uma série de visitas às cidades do entorno da capital paulista. Berço histórico do PT, o cinturão de 38 municípios concentra quase metade do eleitorado estadual e pendeu para a direita na última década, mas deu votação relevante a Lula em 2022 e Haddad chegou a bater Tarcísio em quase metade dessas cidades naquele pleito.

O ex-ministro vai nesta sexta-feira com o presidente em campanha pela reeleição em Guarulhos, segundo maior colégio eleitoral do estado, para um ato, no início da noite, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). O evento será no mesmo horário em que Tarcísio visita a cidade vizinha, Cotia, na companhia dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Na ofensiva na Grande São Paulo, Tarcísio ainda vai a três municípios da região do ABC no sábado: Ribeirão Pires, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo -- onde Lula viveu por décadas e fez o primeiro comício da campanha deste ano, em 16 de agosto.

A atual composição das prefeituras mostra como o entorno da capital paulista tem se afastado do petismo. Das sete cidades do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), Tarcísio só não tem o apoio do gestor de Mauá, Marcelo Oliveira (PT). Quando se expande a conta para as 38 cidades do entorno, o único outro prefeito que não está ao lado do governador é Welington Formiga (PDT), de Cotia, a cidade que Tarcísio visita hoje.

Ambas as chapas estão de olho em um eleitorado numeroso: a Região Metropolitana concentra cerca de 16 milhões de eleitores. Para comparação, Lula teve apenas 2,1 milhões de votos a mais que Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Agora, a meta do presidente, segundo aliados, é ao menos repetir na região o percentual de votos de quatro anos atrás, quando venceu Bolsonaro em 23 das 39 cidades da Grande São Paulo, apesar de ter perdido no cômputo geral do estado. Naquele pleito, Haddad venceu Tarcísio em19 dessas 39cidades.

Líder nas pesquisas e em situação mais confortável no interior, o governador busca afinar as alianças na Região Metropolitana. A escolha das três cidades a serem visitadas no fim de semana ocorreu após uma disputa entre os prefeitos que queriam subir no palanque com ele a apenas duas semanas das eleições. O evento deveria ter ocorrido na semana passada, mas a competição para receber Tarcísio adiou os compromissos.

Do lado do PT, além de tentar uma virada improvável na eleição estadual, Haddad tem a missão de criar palanques locais para garantir votos para Lula. A tarefa, porém, não será fácil. Se no passado o PT era conhecido por administrar cidades importantes da região, o chamado “cinturão vermelho”, e chegou a governar cinco das sete cidades do ABC no primeiro governo Lula, a situação agora é muito diferente. Atualmente, a única prefeitura petista, a de Mauá, coloca o partido como gestor de apenas 418mil habitantes.

O declínio petista não é recente e, no estado, vai além do entorno da capital. O fenômeno se fortaleceu na esteira do crescimento do antipetismo, em2016, mas teve o ponto crítico na eleição passada, em 2024, quando o PT elegeu apenas quatro prefeitos entre os 645 municípios de São Paulo, o estado que reúne o maior contingente de eleitores do país.

Para compensar a falta de apoio de prefeitos, o PT aposta no empenho de seus deputados para mobilizar eleitores. Nesse campo, a sigla tem tido mais sucesso entre os paulistas. Em2018, o partido elegeu dez parlamentares para a Assembleia Legislativa, mas o número foi a 18 em 2022. Neste ano, a meta é manter o patamar. Também houve aumento de 11para 18 na bancada de deputados federais, na comparação entre a legislatura passada e a atual.

Ao mesmo tempo, partidos da coligação de Haddad têm reclamado nos bastidores do planejamento da campanha e da atenção dada até agora aos candidatos a deputado estadual e federal pelo estado. As queixas envolvem desde a demora na distribuição de material até a falta de antecedência com que os compromissos têm sido marcados. Sob reserva, um aliado com trânsito na campanha descreve Haddad como alguém “afastado” das bases, que circula apenas em um núcleo restrito de auxiliares do PT. Ele relata que não tem havido reuniões da coordenação geral, na qual representantes de todos os partidos da chapa discutiam os rumos da eleição.

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