O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá se reunir nesta quarta-feira com integrantes da coordenação da sua campanha à reeleição para traçar as estratégias dos últimos dias antes do primeiro turno, além de discutir com membros do Palácio do Planalto eventual anúncio sobre a restrição às casas de apostas, as bets.
De volta ao país depois de ir aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o petista deverá ficar em Brasília somente até o começo da tarde desta quarta, antes de seguir para uma série de agendas nos estados. De acordo com interlocutores, a ideia é aproveitar esse tempo em Brasília para alinhar a estratégia da campanha e acertar medidas do governo. À noite, ele estará no Rio para um ato com artistas. A conversa com núcleo que coordena a campanha irá definir a linha da semana final do primeiro turno, também discutindo o tom do discurso de Lula, que deve acirrar os ataques contra seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). O presidente aparece hoje empatado tecnicamente com o senador em pesquisas de intenção de voto e, segundo Quaest divulgada nesta segunda, atrás numericamente do adversário num eventual segundo turno. Apesar disso, aliados do petista minimizam o cenário e dizem que "o pior momento da campanha" foi nas últimas semanas e que, agora, com ajustes nas estratégias, o petista já estaria recuperando terreno.
A campanha de Lula vinha sendo criticada até mesmo por petistas pelo tom considerado ameno e sem reação, além de queixas dos assuntos abordados em falas do presidente e nas peças de horário eleitoral serem distantes da realidade do dia a dia dos brasileiros. Diante disso, houve uma mudança de rota: foram intensificados ataques a Flávio Bolsonaro e voltaram à pauta temas como segurança pública, custo de vida e o combate às bets. Além disso, a campanha centrou esforços em mobilizar a militância, convocando uma série de atos de rua e incentivando a participação nas redes sociais. Também nesse esforço de ampliar o diálogo com a sociedade, o presidente fará novo jantar com representantes do PIB brasileiro nesta sexta, em São Paulo.
Também há uma expectativa entre integrantes da coordenação petista que seja definida a agenda de viagens dos próximos dias. Numa previsão inicial, deverão ocorrer atos de campanha em estados como Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Amazonas, São Paulo e Pará. De agenda governamental, auxiliares do presidente dizem que ele deverá definir nesta quarta qual medida será adotada em relação às bets. A avaliação é que o presidente deverá adotar tom mais incisivo contra as apostas, mas ainda não há um martelo batido sobre como será essa reação. Na mesa, estão algumas possibilidades: proibir apenas os cassinos on-line (que inclui os jogos do tigrino e do aviãozinho); alterar regras de publicidade; ou mexer também com as apostas de quota fixa (que são aquelas feitas sobre eventos reais, principalmente partidas de futebol). O governo tenta um ganho eleitoral com essa agenda ao afirmar que está atuando contra o endividamento da população, tema que tem sido usado por Flávio para criticar o presidente. Segundo interlocutores, a expectativa é que o petista defina qual será o caminho adotado nesta quarta. Eles dizem que o cenário mais provável é que seja editada uma Medida Provisória (MP) ainda nesta semana, antes do primeiro turno. Na segunda, Lula levou ao horário eleitoral a defesa do fim das bets e buscou atrelar o tema à família Bolsonaro. Em discurso na ONU, nesta terça, o presidente também tratou do tema: — A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.
O Globo