Lula repete Bolsonaro ao antecipar Bolsa Família para antes do segundo turno

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ao antecipar o pagamento do Bolsa Família para antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repete a medida adotada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Naquele ano, Bolsonaro antecipou o calendário do Auxílio Brasil, nome que o programa recebeu em sua gestão. Em 2022, os repasses estavam previstos para começar em 18 de outubro e terminar no dia 31. Com a antecipação, foram feitos entre os dias 11 e 25, cinco dias antes do segundo turno. A mudança veio um dia depois do primeiro turno, em que Bolsonaro terminou atrás de Lula, com 43,2% dos votos válidos contra 48,4% do petista.

Agora é Lula quem chega ao segundo turno em desvantagem. No primeiro, teve 45,16%, contra 47,03% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na época, o pagamento cabia ao Ministério da Cidadania. No atual governo, o programa voltou a se chamar Bolsa Família e passou ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Em 2022, o benefício mínimo era de R$ 600, valor elevado de R$ 400 pela chamada PEC Eleitoral e garantido até dezembro. Também em outubro de 2022, o governo Bolsonaro anunciou a inclusão de cerca de 500 mil famílias no programa, que passaria a atender mais de 21 milhões. No mesmo mês, a gestão Bolsonaro liberou o empréstimo consignado com desconto nas parcelas do Auxílio Brasil e e especialistas criticaram a linha pelo risco de superendividamento das famílias. Já no governo Lula, a Caixa suspendeu as contratações em janeiro de 2023 e, depois de estudos técnicos, encerrou a oferta. Nesta segunda-feira, o governo Lula anunciou a antecipação dos pagamentos de outubro, que começaram no mesmo dia e iriam até sexta-feira (30). Com a mudança, todos os beneficiários receberão até quarta-feira (21). É o primeiro pagamento com o reajuste de 15% anunciado em setembro, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. A antecipação valerá também para novembro e dezembro. O governo justificou a medida como ação “preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis”. Segundo o MDS, o país registrou 518 situações de emergência e calamidade pública entre agosto e setembro, mais que o dobro do mesmo período do ano passado, sobretudo por causa de chuvas fortes no Sul. O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. No Brasil, costuma provocar secas no Norte e no Nordeste e chuvas acima da média no Sul, o que pode afetar a produção de alimentos e pressionar os preços.

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