Lula prospecta “muito petróleo” na Margem Equatorial e também prevê Brasil forte na COP31

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (6), que o Brasil identificou a possibilidade de encontrar grandes volumes de petróleo na Margem Equatorial brasileira, região onde a Petrobras prevê investir US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 12,85 bilhões) na perfuração de 15 poços entre 2026 e 2030, conforme o Plano de Negócios da estatal.

Em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília (DF), ele destacou o potencial da exploração petrolífera e defendeu que o País avance simultaneamente na produção de energia e na redução da dependência dos combustíveis fósseis. De acordo com Lula, o seu governo apresentará à COP31, na Turquia, um plano de transição energética baseado na experiência nacional com o pré-sal, os biocombustíveis e as fontes renováveis.

A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi marcada para acontecer de 9 a 20 de novembro na cidade de Antália, na Turquia. “O Brasil não fala teoricamente, o Brasil apresenta proposta de um País que descobriu pré-sal, que acaba de descobrir possibilidade de muito petróleo na margem equatorial brasileira”, afirmou o presidente Lula na sede do Ministério de Minas e Energia, durante encontro que reuniu o ministro Alexandre Silveira e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Considerada uma das principais fronteiras de exploração de petróleo e gás do Brasil, a Margem Equatorial abrange aproximadamente 2,2 mil quilômetros de extensão marítima, desde o litoral do Rio Grande do Norte até a costa do Amapá. O presidente também destacou que seu governo assumirá o compromisso com a agenda ambiental.

“A gente continua sendo o país que vai levar avante o debate sobre a diminuição até poder chegar um dia a sonhar em não precisar mais de combustível fóssil”, acrescentou. Segundo Lula, a existência de reservas de petróleo não impede o Brasil de assumir compromissos com a descarbonização da economia.

“Nós vamos chegar com muita força nessa COP, porque nós não vamos chegar dando palpite, nós vamos chegar dizendo o que nós fizemos. E se nós fizemos, nós poderemos desafiar os outros a fazerem”, declarou.

Governo aprova plano de transição energética O Conselho Nacional de Política Energética aprovou cinco resoluções voltadas à transformação da matriz energética brasileira.

Uma das principais medidas estabelece o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), que organiza objetivos de longo prazo e prevê ciclos de implementação de quatro anos, com acompanhamento e atualização periódica. O colegiado também determinou a criação de um grupo de trabalho para subsidiar a Estratégia Nacional de Eletromobilidade.

A iniciativa examinará os efeitos da expansão dos veículos eletrificados sobre o sistema de distribuição de eletricidade, a infraestrutura de recarga e a indústria automobilística. O presidente defendeu a ampliação da produção de veículos híbridos, que combinam eletricidade e biocombustíveis.

Na avaliação do governo, essa tecnologia permite aproveitar a capacidade brasileira de produzir etanol e outros combustíveis renováveis, ao mesmo tempo que estimula a indústria nacional. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a necessidade de reduzir as emissões do setor de transportes.

O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira e as perspectivas para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF). “Ninguém tem 32% de etanol anidro na gasolina, só o Brasil, e foi o senhor que elevou para 32%.

Ninguém tem 15% de bio no diesel, o senhor passou de 10% para 15%. O Brasil vai ser o grande protagonista do SAF, do Sustainable Aviation Fuel”, afirmou Alckmin, dirigindo-se ao presidente.

O CNPE também aprovou a formação de um grupo responsável por avaliar alternativas de aproveitamento energético de resíduos que não apresentam viabilidade de reutilização ou reciclagem. Entre as possibilidades estão a produção de biogás e biometano.

Outras deliberações incluem a integração das bases de dados do setor energético e o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e segurança relacionados ao Programa Gás do Povo. Lula defende energia própria para data centers

A expansão da infraestrutura digital também integrou as discussões do governo. Lula afirmou que o Brasil reúne condições para atrair investimentos em centros de processamento de dados, especialmente pela disponibilidade de fontes renováveis de eletricidade.

O presidente condicionou o avanço desses projetos à ampliação da capacidade de geração energética pelos próprios investidores. Segundo ele, a instalação de data centers não deve comprometer o fornecimento destinado à população.

“Exigindo que quem vier investir construa a sua própria energia, porque não vai ser a energia do povo que vai ser utilizada para data center. E nós queremos que venha muita gente para cá fazer investimento e que uma parte do banco de dados fique para o governo brasileiro poder guardar os seus”, afirmou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também apontou oportunidades relacionadas à inteligência artificial, setor que demanda volumes crescentes de eletricidade. Ele mencionou o regime especial de tributação para data centers, conhecido como Redata, e a necessidade de ampliar as soluções de armazenamento energético.

Exploração de terras raras deve gerar industrialização no Brasil O presidente também defendeu que o aproveitamento das reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras esteja associado à instalação de unidades industriais no território nacional.

Lula afirmou que o governo pretende estimular investimentos capazes de transformar matérias-primas em produtos de maior valor agregado, ampliando a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico. O presidente disse que empresas estrangeiras poderão participar dos projetos, desde que estabeleçam parcerias com companhias brasileiras e contribuam para o processamento dos recursos minerais no país.

“Nós não seremos exportadores de produtos in natura. Outra vez, nós não seremos.

Nós queremos utilizar o que nós temos no nosso solo para dar ao povo brasileiro a chance de virar um povo com vida melhor”, declarou. Preservação ambiental integra estratégia para a COP31

A conservação das florestas também fará parte das propostas brasileiras para a conferência climática na Turquia. Lula afirmou que o governo pretende apresentar resultados relacionados à redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa.

O presidente mencionou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e o Fundo Amazônia como instrumentos de financiamento da preservação ambiental. A estratégia busca criar alternativas econômicas para manter a vegetação nativa e estimular atividades produtivas compatíveis com a conservação.

“Nós vamos começar a provar de verdade que preservar é melhor do que queimar ou derrubar. De que o fato de você preservar não significa você criar problema nenhum para a agricultura brasileira, para o pequeno, para o médio, para o grande negócio”, afirmou.

Lula também defendeu a participação do setor privado no financiamento de iniciativas ambientais e afirmou que o governo precisa demonstrar a viabilidade econômica dessas atividades. “Não é mais utopia, não é mais um sonho inatingível.

São políticas concretas que podem se transformar em coisas muito lucrativas para os investidores”, ressaltou. Lula afirma que população pobre não pagará pelo ajuste fiscal

Além das medidas relacionadas à energia e ao desenvolvimento industrial, o presidente abordou a política econômica e rebateu as cobranças do mercado financeiro por cortes nas despesas públicas. Lula afirmou que o governo manterá o compromisso com a responsabilidade fiscal, mas rejeitou medidas de ajuste que imponham sacrifícios à população de menor renda.

“A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele tem que ver é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, afirmou, em referência ao sistema financeiro.

A declaração ocorreu um dia depois de o presidente reunir aliados no Palácio da Alvorada para discutir as diretrizes econômicas do próximo mandato. Durante o encontro do CNPE, Lula também defendeu a atuação da equipe responsável pela condução das contas públicas.

“Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica. Esses meninos que ganham pouco, se matam de trabalhar, são xingados brigando com outro ministro porque nós temos que tirar dois tostões de um para colocar no outro.

Ficamos o ano inteiro brigando para manter a política fiscal com responsabilidade”, declarou.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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