247 – Eleito para o quarto mandato presidencial no domingo (25), o presidente Lula (PT) afirmou em seu discurso de vitória que priorizará o fortalecimento do ensino de matemática no país. A iniciativa é apontada por especialistas como a solução para o principal gargalo da educação nacional e um passo indispensável para acelerar a transição do Brasil de nação em desenvolvimento para país desenvolvido.
Além disso, a estratégia busca garantir soberania em inovação e inteligência artificial, detalha a Folha de São Paulo. Em sua fala, o chefe do Executivo associou diretamente a formação em ciências exatas ao futuro tecnológico e econômico brasileiro: “iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira”.
A avaliação de educadores confirma que a fala presidencial mira no ponto central para alavancar a qualidade da aprendizagem. Segundo especialistas, dominar a matemática impulsiona o raciocínio crítico, melhora o desempenho em outras disciplinas e expande o horizonte socioeconômico.
Contudo, dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) indicam que o progresso na área ainda é modesto no país. Embora a proporção de alunos do 5º ano do ensino fundamental com aprendizado adequado tenha subido de 14,8% em 2002 para 50,6% em 2025, o índice despenca para 18,8% no 9º ano e atinge graves 8,5% ao fim do ensino médio.
O quadro coloca o Brasil nas posições mais baixas em exames internacionais como o Pisa, no qual apenas 28% dos estudantes alcançam a proficiência básica na disciplina. Para enfrentar a defasagem, o Ministério da Educação (MEC) desenvolve o programa Compromisso Nacional Toda Matemática, que visa capacitar professores e fornecer suporte didático às redes públicas.
Criado com investimento inicial de R$ 70 milhões — valor inferior aos aportes destinados à alfabetização —, o programa terá sua verba dobrada para R$ 140 milhões até 2027, conforme anunciado pela pasta. Representantes de entidades do setor, como o Todos pela Educação e o instituto Reúna, ressaltam que o avanço depende de mais investimentos financeiros, intervenção pedagógica desde a educação infantil, mudanças na formação inicial de docentes — hoje marcada pelo excesso de cursos a distância — e métodos que priorizem a compreensão dos conceitos em vez da mera memorização.
Do ponto de vista econômico, o investimento na área carrega alto potencial de retorno. Pesquisa do Itaú Social aponta que atividades ligadas à matemática já representam 7,4% dos empregos e geram 4,6% do PIB nacional.
Estimativas indicam que, se o Brasil atingir a maturidade de nações desenvolvidas no setor, poderá agregar até R$ 1,3 trilhão anualmente à sua economia. “A tecnologia que move a economia hoje é feita de matemática.
Para que o Brasil possa criar e não apenas consumir essas tecnologias, como a IA, nós precisamos garantir que as pessoas aprendam matemática e desenvolvam essas habilidades”, salienta Nara Bobko, gerente acadêmica do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
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