Lula ignora afastamento de Andrei da PF em 1º evento após decisão de Mendonça

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ignorou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, na primeira aparição pública após a medida. Ele participou de um evento sobre o "Dia da Amazônia" ― celebrado no último sábado (5) ―, no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira (8).

Embora houvesse expectativa, por parte de apoiadores, de alguma possível mensagem do presidente sobre a crise, nenhum outro tema foi abordado. Lula destacou atos do seu governo na área ambiental e defendeu a perfuração de petróleo próxima à foz do Amazonas pela Petrobras.

"Enquanto vocês estão aplaudindo, tem muita gente nos odiando, achando que nós não queremos desenvolvimento no Brasil, aquele discurso atrasado de que indígena não pode ter tanta terra", afirmou o presidente, a uma plateia composta por servidores do Ministério do Meio Ambiente e de órgãos da área, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e outros aliados.

Embora ainda não tenha se posicionado publicamente, o assunto tomou conta do governo e da campanha petista nesta terça. Por ora, o governo avalia agir primeiro juridicamente, sob a leitura de que a decisão de Mendonça invade as competências do Executivo.

Enquanto a campanha avalia se vai entrar nessa discussão, a Advocacia-Geral da União (AGU) deve contestar a determinação do magistrado, argumentando que ela foi tomada de forma monocrática e invade uma atribuição exclusiva da Presidência da República.

A manobra foi debatida em reunião do presidente com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, nesta manhã, no Palácio da Alvorada. O debate leva em conta uma tentativa de evitar desgastes para Lula, a menos de um mês do pleito.

Nos últimos dias, o petista tem sido aconselhado a não se envolver diretamente na crise do STF, que foi escalada na semana passada, após a revelação de mensagens entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dias depois, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade.

Como o Valor mostrou, a leitura de auxiliares de Lula é que há uma motivação política e eleitoral na decisão de Mendonça para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje, principal adversário do petista na disputa ao Palácio do Planalto. Segundo interlocutores, o ministro está sendo usado como "cabo eleitoral" do candidato do PL. O magistrado foi indicado em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Até o momento, só o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, se manifestou pelo governo, atribuindo o afastamento de Andrei por Mendonça a uma motivação "eleitoral" e chamando a determinação de "descabida", e de uma "intromissão onde não lhe cabe". A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais, chamou a medida de "questionável" e disse que "protege e premia os criminosos do Master, do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], da [Operação] Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu".

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