Lula envia ministros a Manaus e amplia operação contra incêndios

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Uma comitiva de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Manaus neste domingo (18) para acompanhar a crise dos incêndios florestais no Amazonas e coordenar o reforço das ações de combate ao fogo. A mobilização inclui novas aeronaves, equipamentos para lançamento de água sobre as áreas atingidas e a participação das Forças Armadas.

A chegada dos representantes do governo federal ocorre em meio ao avanço das queimadas no Amazonas e no Pará, além da fumaça que compromete a qualidade do ar na capital amazonense e em municípios do interior.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) destacou a ampliação do apoio federal e agradeceu à União pela mobilização de recursos. Segundo ele, a atuação conjunta envolve o governo federal, o governo estadual e a Prefeitura de Manaus.

“Juntos, governo do estado, prefeitura, governo federal, estamos trabalhando e eu, como senador, ajudando para que a gente possa vencer esse desafio que lamentavelmente estamos enfrentando em todo o Amazonas”, declarou.

Equipamentos

Entre os reforços anunciados pelo governo estão cinco aeronaves adicionais, que elevam de 11 para 16 o total previsto para as operações no Amazonas. A mobilização também prevê o deslocamento de militares e o apoio da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Braga informou que o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou o envio de uma aeronave do modelo CASA, de fabricação espanhola, destinada ao transporte de tropas e equipamentos.

O senador também destacou o envio de 70 dispositivos com capacidade para mil litros de água cada. Os equipamentos podem ser lançados por aeronaves sobre áreas atingidas pelas chamas, ampliando a capacidade de resposta das equipes em regiões de difícil acesso.

“São 70 caixas de mil litros de água que estariam vindo para ajudar no combate ao incêndio”, afirmou Braga, ao relatar as informações recebidas do ministro.

O reforço integra o pacote de medidas anunciado pelo governo federal no sábado (17). Desde o início das operações federais, em 9 de outubro, cerca de 600 mil litros de água haviam sido lançados em aproximadamente 260 horas de voo. O Ibama contabilizava 317 incêndios extintos no estado desde o início da temporada de queimadas.

Amazonas e Pará

Durante a declaração, Braga chamou a atenção para a quantidade de focos de incêndio no Amazonas e no Pará, além da situação nas áreas próximas à divisa entre os dois estados.

“Os dois estados com grandes focos de incêndio na Amazônia são o Pará e o Amazonas. E, nesse sentido, lamentavelmente, na nossa fronteira com o Pará também tem muitos focos de incêndio”, afirmou.

O senador citou levantamentos sobre a quantidade de focos nos dois estados. Os números mencionados em sua fala, porém, não foram confirmados de forma independente.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), compilados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas para o período de 1º a 15 de outubro, apontavam 1.827 focos no Amazonas e 5.712 no Pará.

A situação exige atenção porque a propagação das chamas pode atingir áreas de floresta, comunidades e regiões próximas a centros urbanos. A estiagem e as condições atmosféricas também favorecem a permanência da fumaça, que tem afetado a rotina da população.

Qualidade do ar

Em Manaus, a fumaça das queimadas provocou episódios de piora acentuada da qualidade do ar. A situação levou à suspensão de aulas da rede municipal e de atividades ao ar livre até este domingo (18), como medida de proteção à população.

O governo federal também anunciou medidas para ampliar o atendimento às consequências da crise ambiental. Entre elas está a instalação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, prevista para terça-feira (20), além do reforço das equipes de segurança e das operações ambientais.

O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios amazonenses, o que permite ampliar o acesso a recursos para enfrentar os efeitos dos incêndios.

Atuação conjunta

A agenda ministerial busca acompanhar a situação em campo e articular a atuação dos órgãos federais com as equipes estaduais e municipais. O reforço aéreo e logístico deve ampliar os meios disponíveis para combater as chamas, enquanto as forças de segurança também poderão atuar no enfrentamento de ocorrências criminosas relacionadas aos incêndios.

Braga defendeu a continuidade da cooperação entre os governos para enfrentar a crise, que atinge diferentes regiões do Amazonas e tem reflexos diretos na saúde e na rotina dos moradores.

A efetividade do reforço dependerá das condições operacionais para o emprego das aeronaves, do acesso às áreas atingidas e da capacidade das equipes de conter os focos ativos e impedir novas ocorrências.

A comitiva anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente inclui os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), além de equipes técnicas.

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