247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (21), medidas de renegociação e perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e afirmou que a população de baixa renda tem maior compromisso com o pagamento de seus débitos. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula destacou a importância da honra para os trabalhadores e criticou o comportamento de pessoas mais ricas que, segundo ele, não demonstram a mesma preocupação em quitar suas obrigações financeiras.
As declarações foram feitas durante um evento de anúncio de medidas voltadas aos pequenos empreendedores e ao transporte público. Ao justificar as iniciativas do governo federal, o presidente ressaltou que a dificuldade financeira não significa falta de disposição para pagar dívidas.
“Se tem gente boa pagadora nesse país e gente que gosta de pagar sua dívida é o pobre nesse país”, declarou Lula.
O presidente utilizou o exemplo de consumidores endividados em pequenos estabelecimentos comerciais para ilustrar a relação entre a população trabalhadora e seus compromissos financeiros. Segundo ele, mesmo diante de dificuldades econômicas, pessoas de baixa renda procuram quitar suas pendências assim que conseguem reunir os recursos necessários.
“Quando um pobre deve na padaria, ele tem vergonha de passar na porta da padaria, de vergonha de ser cobrado. Quando ele tiver o dinheiro, a primeira coisa que ele faz é pagar, porque tem uma coisa que vale para o povo trabalhador, que é uma coisa chamada honra”, afirmou.
Na sequência, Lula estabeleceu uma comparação com o comportamento de parte da população de maior renda, criticando aqueles que tratam o endividamento com naturalidade.
“Tem muita gente rica que gosta de dever. Dever é uma coisa charmosa: quanto mais eu devo, melhor. O pobre, não. O pobre fica honrado quando ele não tem dívida, que ele pode andar de cabeça erguida nesse país”, disse.
Governo defende perdão de dívidas de microempreendedores
As declarações ocorreram após o presidente abordar a decisão do governo de abrir mão de determinados débitos de microempreendedores individuais. Lula justificou a medida afirmando que parte dos valores dificilmente seria recuperada pelo poder público.
“É um dinheiro que a gente sabia que a gente não ia receber”, afirmou.
A iniciativa integra um conjunto de ações anunciadas pelo governo federal para apoiar pequenos negócios e estimular a atividade econômica de trabalhadores que atuam por conta própria.
Durante o discurso, Lula também destacou as transformações nas relações de trabalho e afirmou que o empreendedorismo passou a representar uma alternativa para brasileiros que buscam melhores condições de renda.
“O mundo do trabalho mudou. E as pessoas têm razão em não querer trabalhar para ganhar apenas um pouco”, declarou.
O presidente defendeu que trabalhadores interessados em desenvolver seus próprios negócios recebam apoio e reconhecimento do Estado, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por quem pretende iniciar uma atividade econômica.
“Toda pessoa que pensa em trabalhar por conta própria é uma pessoa que merece ser valorizada. Sabe por quê? Porque ela está acreditando nela”, afirmou.
Lula propõe auxílio de R$ 5 mil para empreendedores
Outra iniciativa mencionada pelo presidente foi a proposta de concessão de R$ 5 mil para apoiar empreendedores no início de suas atividades. Lula ressaltou que o valor seria transferido diretamente aos beneficiários, sem a obrigação de devolução.
“É uma doação do governo para que vocês possam começar a vida de vocês de cabeça erguida, sem ficar pedindo favor a ninguém”, disse.
A proposta, entretanto, ainda não está em vigor. A concessão dos R$ 5 mil não faz parte da lei sancionada nesta quarta-feira e depende de aprovação do Congresso Nacional.
A medida foi apresentada pelo presidente como uma forma de oferecer condições iniciais para que trabalhadores desenvolvam seus próprios negócios sem precisar recorrer imediatamente ao endividamento.
Governo encaminha PEC para financiar tarifa zero no transporte público
Na mesma cerimônia, Lula assinou a mensagem de encaminhamento ao Congresso Nacional de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) destinada a viabilizar o financiamento da tarifa zero no transporte coletivo urbano.
Segundo o governo federal, a proposta prevê reservar pelo menos 26,8% do montante global anual das emendas parlamentares para custear a gratuidade do transporte público.
O presidente manifestou a expectativa de que a PEC seja analisada e votada ainda em 2026. A iniciativa busca estabelecer uma fonte de financiamento para a política de transporte gratuito, cuja implementação dependerá da aprovação da proposta pelo Legislativo.
Durante o discurso, Lula também mencionou a possibilidade de iniciar a gratuidade nos fins de semana e feriados, como uma experiência inicial antes de uma eventual ampliação da medida.
Brasil 247