O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou, nesta segunda-feira (19), que as medidas anunciadas pelo governo nas últimas semanas tenham cunho eleitoral. Em entrevista ao STB ele defendeu o reajuste do programa Bolsa Família, divulgado a 17 dias do primeiro turno, e as mudanças para microempreendedores individuais (MEIs), lançadas a menos de duas semanas do segundo.
O presidente seguiu defendendo a política fiscal do seu governo. "Tudo o que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Estamos entregando o orçamento com superavit primário. Não sei de onde se tirou a ideia que é uma bomba que vai estourar. Nós estamos gastando aquilo que nós sabemos que é possível fazer e vamos fazer. E você vai perceber que nós vamos continuar tratando com muita responsabilidade", afirmou. Coordenadores de Flávio e Lula divergem sobre contas públicas e tentativa de golpe Pressão sobre Flávio por quebra de sigilo vira estratégia de Lula As medidas foram chamadas por membros da oposição e agentes do mercado de "eleitoreiras". Como não haviam sido anunciadas previamente nem constam no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, há uma questionamento sobre como este gasto será adequado no ano que vem.
Ele voltou a justificar o aumento do Bolsa Família de 15% para R$ 691, que começou a ser pago hoje, como uma possibilidade que lhe foi revelada recentemente. "Não é tão importante para mim, é importante para o Brasil", disse Lula.
"O pessoal da área econômica achou que não precisava dar um outro aumento no ano seguinte. Mas, na medida em que apareceu o espaço fiscal, eles me procuraram e eu fiquei muito nervoso porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo", afirmou o presidente. A equipe econômica já vinha, no entanto, negando esta possibilidade publicamente. "A gente não pode deixar de ter."
Lula falou ainda sobre a quitação integral da dívida dos MEIs, anunciada na última terça-feira (13). "Nós estamos tentando resolver as dívidas do povo brasileiro desde que tomamos posse. Nós guardamos uma dívida muito forte, uma parte dela por conta da Covid-19. Mas essa dívida aumentou ao longo do governo", justificou.
"Nós tínhamos um déficit de 2,8%, nós estamos diminuindo e, ao mesmo tempo, descobrimos que tinha uma dívida de MEIs de praticamente R$ 15 bilhões", afirmou. "Dívida ativa no governo, que não vai mais receber, porque são dívidas pequenas que o cara não vai pagar mais."
Ele defendeu ainda que as mudanças não são só para si e deverão ser usadas em um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL). "É importante colocar que, independente do resultado eleitoral, o benefício vai continuar para o povo brasileiro, não o benefício por mês, é o benefício por década, por duas décadas", defendeu o presidente.
O petista refutou ainda as críticas de Flávio ao Desenrola, que já está na terceira etapa. "O Desenrola ajudou quase 15 milhões de pessoas, o Desenrola 2.0 ajudou muita gente. Mas a gente detecta que tem 82% [da população] devendo e, na hora do Desenrola, não aparece todo mundo para resolver? Porque a pessoa tinha que ir no banco, a pessoa tinha que perder tempo", avaliou, citando que, nesta nova etapa, o governo se propôs a comprar as dívidas dos bancos.
O presidente também voltou a citar o projeto de dar R$ 5 mil para empreendedores "possam recomeçar a sua vida". A ideia, anunciada no mesmo dia da reestruturação dos MEIs, não foi detalhada pela equipe econômica.
Ainda na área econômica, ele reclamou, mais uma vez da independência do Banco Central. "Você não pode ser Presidente da República e não poder discutir a política monetária porque o Banco Central é independente", questionou. "Quem discute? O sistema financeiro, é isso que faz pressão todo santo dia, pressão todo santo dia. Começa janeiro falando em déficit fiscal e terminando falando em déficit fiscal, só não fala do que o governo paga para eles todo ano."
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