Lula diz que carrega nas costas 'promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte', após sair atrás no 1º turno

Lula diz que carrega nas costas 'promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte', após sair atrás no 1º turno - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o tom contra a postura de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) em fala nesta segunda-feira, afirmando que está "carregando nas costas" o que chamou de "promiscuidade" do Supremo, após denúncias envolvendo ministros da Corte e figuras ligadas ao Banco Master.

A avaliação de aliados do presidente é que a crise institucional sem precedentes no Supremo contaminou a campanha do petista e gerou ruídos à imagem dele, diante da proximidade de Lula com integrantes da Corte. Alguns interlocutores enxergam isso como um dos principais motivos que afetaram negativamente o petista, ao atrelar a ele a pecha de candidato do sistema.

Ao longo do primeiro turno, Lula foi aconselhado a aumentar o tom nas críticas à postura de alguns ministros, mas o presidente não foi suficientemente duro e enfático, segundo aliados. Há a expectativa, agora, de que isso mude na segunda etapa.

Em declaração nesta segunda, o presidente disse que ele é o único candidato "antisistema" e foi mais duro ao falar da defesa da reforma no Judiciário. – Porque só tem um candidato que é antissistema.

E somos nós, não tem outro candidato. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias – disse.

Lula também afirmou que é preciso fazer uma reforma no sistema judiciário e definir uma nova forma de escolha para os ministros do STF. Hoje, compete exclusivamente ao presidente da República indicar ministros da Corte, que precisam ter seus nomes aprovados pelo Senado.

– Precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher um ministro da Suprema Corte. É de interesse pessoal do presidente da República? É de pressão do Congresso Nacional? É de interesse do poder econômico? Não.

Vamos ter que começar a discutir com a sociedade qual é o critério que a gente vai escolher para indicar um candidato a ministro da Suprema Corte. E se vai ter mandato ou não.

Está na hora de discutir isso. A verdade é que ninguém está acima da lei nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei – afirmou.

Lula falou em um encontro com políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais nesta segunda-feira para discutir o rumo da candidatura do petista no segundo turno. Os políticos já vinham sendo convidados por integrantes da coordenação nos últimos dias.

Também participam dirigentes partidários de legendas aliadas. No discurso, o presidente disse ainda que não "há razão" para ele não ser reeleito nos segundo turno, após ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa das eleições, no domingo.

O presidente também defendeu a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública ainda este ano. O texto, já aprovado na Câmara, dar maior poder ao governo federal para tratar do assunto.

– Eu estou convencido de que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão.

Inclusive nos temas polêmicos, como segurança, vocês governadores sabem que foi passado a responsabilidade para o estado. O estado sozinho não dá conta da segurança pública.

Porque a bandidagem cresceu, se transformaram, em tudo em qualquer lugar estão envolvidos, inclusive funcionando como se multinacional. Lula e o senador Flávio Bolsonaro vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no próximo dia 25 de outubro.

Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53,8 milhões de votos, o que corresponde a 45,16%.

Foram registrados 1,84% de brancos e 2,93% de nulos. O petista disse ainda que pretende dar mais entrevistas a rádios, tirar fotos com apoiadores, conversar mais e fazer mais eventos no segundo turno.

Ele também indicou disposição de ir a debates, o que não fez no primeiro turno. – Agora sim é importante ter debate na TV.

Porque agora é tête-à-tête, é um contra um. O presidente ainda pediu para seus apoiadores não brigarem com o eleitor.

– Temos que ter humildade. São 30 milhões de pessoas que não foram votar.

Não surgiu terceira via. O que aconteceu então com essas pessoas? Temos que tentar convencer essas pessoas.

A responsabilidade do desinteresse deles é nossa. Não temos que procurar defeito entre nós agora, temos 20 dias pra que cada um avalie o que pode fazer.

Crise no STF A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou forma no mês passado, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que citam o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes reagiu: pediu investigação contra Mendonça no inquérito das fake news, alegando improbidade, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Mendonça, por sua vez, confirmou ter recebido Vorcaro no início de 2025, mas disse que não tratou do Master.

O conflito escalou na semana seguinte. Mendonça afastou Andrei Rodrigues e o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, sob a acusação de terem produzido relatórios ilícitos a pedido de Moraes.

No dia seguinte, Flávio Dino reintegrou os dois; horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, que passou a conduzir. Em sessão extraordinária em 15 de setembro, o plenário discutiu se os casos de Moraes e Mendonça deveriam ser julgados em conjunto.

Dino pediu vista após bate-boca entre Gilmar Mendes e Mendonça, e o julgamento ficou sem data para ser retomado, com placar parcial de 4 a 3 pela análise conjunta.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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