Lula diz que Brasil tem “perspectiva de futuro” incomparável e não será exportador de terras raras “in natura”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética nesta sexta-feira (6), que o Brasil atravessa um momento geoeconômico extraordinário e possui uma perspectiva de futuro incomparável com a maioria das nações do mundo.

Lula destacou os índices recentes de expansão da atividade produtiva, o controle inflacionário e a valorização salarial, ao mesmo tempo em que cravou uma diretriz rígida para o setor mineral: o país não repetirá os erros históricos da exploração colonial e não atuará como mero exportador de terras raras e minerais críticos na forma in natura, exigindo que todo o processo de transformação industrial ocorra em território nacional.

Ao avaliar o panorama macroeconômico brasileiro, o presidente apontou que a atual gestão encerra o ciclo com indicadores altamente positivos, resgatando o ritmo de desenvolvimento após períodos de estagnação. Lula enfatizou que a economia voltou a crescer acima de 3%, um patamar que, segundo o histórico recente, só havia sido alcançado em 2010, distanciando-se dos desempenhos registrados em administrações anteriores.

Além da expansão do Produto Interno Bruto, o mandatário ressaltou que o país registra atualmente a menor inflação acumulada no período de quatro anos de toda a sua história. O impacto positivo sobre a renda da população também foi destacado pelo governante, que pontuou que 80% de todas as categorias organizadas conquistaram acordos salariais com ganhos reais acima da inflação.

O presidente recordou que a política de valorização permanente do salário mínimo — atrelada ao crescimento do PIB e não apenas à reposição inflacionária — evitou que o piso nacional estivesse reduzido a patamares muito inferiores. Na avaliação do governo, a medida busca combater a invisibilidade histórica enfrentada pelos trabalhadores e aposentados, garantindo que a parcela mais vulnerável da sociedade participe diretamente dos frutos gerados pela riqueza nacional.

Articulação política viabiliza reformas e controle da inflação O sucesso na condução da agenda econômica e institucional ocorreu, conforme pontuou o presidente, mesmo diante de um cenário político no Congresso considerado teoricamente adverso pelo Executivo.

Lula atribuiu a aprovação de matérias complexas, a exemplo da reforma tributária, a fatores como capacidade de persuasão, competência e articulação política. Entre as medidas implementadas, o governo destacou o esforço para zerar o Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até cinco mil reais mensais, conjugado com a taxação das faixas de renda mais elevadas.

Apesar de reconhecer que o cenário ideal englobaria taxas de desemprego nulas e um avanço ainda mais robusto do PIB, o chefe de Estado argumentou que a administração pública tem entregado o máximo viável dentro das condições institucionais dadas. O discurso reforçou que a estabilidade institucional e o diálogo permanente com os diferentes setores da sociedade têm permitido construir avanços inéditos na distribuição de renda e na consolidação de bases para o desenvolvimento soberano do país, afastando turbulências que historicamente afetaram a previsibilidade dos investimentos produtivos.

Conselho nacional e proibição de exportação primária de terras raras O ponto central do pronunciamento concentrou-se na estratégia para os minerais críticos e as terras raras, recursos essenciais para a transição energética global e para a indústria tecnológica avançada.

O presidente advertiu que o Brasil dispõe de um potencial geológico monumental, comparável apenas ao da Índia, e que o país tem potencial para abrigar a segunda maior reserva mineral do planeta após a China. Diante dessa riqueza, o governo impôs um limite intransigível: o país não repetirá o modelo extrativista adotado historicamente com o ouro no período colonial ou com o minério de ferro nos séculos recentes.

Para evitar que o solo brasileiro seja esvaziado de suas riquezas sem o devido retorno socioeconômico, a gestão federal instituiu um conselho nacional voltado especificamente a esse setor. A diretriz anunciada estabelece que a exploração e a separação dos minerais deverão ser obrigatoriamente acompanhadas da industrialização local.

O presidente convidou empresas estrangeiras de qualquer origem — sejam americanas, chinesas ou francesas — a atuar no Brasil, desde que em parceria com empresas brasileiras e comprometidas com a agregação de valor em solo nacional, consolidando o objetivo de transformar os recursos naturais em pilares para um futuro estado de bem-estar social.

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