Lula diz na ONU que Brasil não cederá a pressões sobre Pix e endurece tom contra bets

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) para afirmar que o Brasil não vai ceder a pressões de multinacionais sobre o Pix e endureceu o tom contra as bets. O sistema de pagamentos entrou nas negociações com os Estados Unidos no âmbito do tarifaço.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, afirmou.

O presidente também fez críticas às bets. Segundo Lula, a “indústria bilionária das BETs transforma o vício em lucro” e sua “disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares”. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, afirmou.

Lula voltou a mencionar o tarifaço e afirmou que, apesar das medidas impostas contra a economia brasileira, o país deverá alcançar um novo recorde de exportações neste ano. Para tornar o Brasil uma nação desenvolvida e socialmente justa, Lula disse apostar na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social.

“O Brasil voltou a crescer de modo sustentado. Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto”, afirmou, apesar de reconhecer que “ainda há muito a ser feito”.

Em seu discurso, Lula disse ainda que os objetivos de desenvolvimento sustentável são “alvo de ataques de forças reacionárias, que desejam naturalizar injustiças”.

“A desigualdade e o subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas. É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte. É necessário cortar privilégios e investir em educação e saúde gratuitas e de qualidade”, afirmou.

Lula também afirmou que existe, em todo o mundo, um “anseio legítimo por mudanças”, mas defendeu que isso não signifique retrocessos. “Mudar não é retroceder. Não é subtrair direitos. Não é reeditar teorias de supremacia racial ou de submissão feminina. Não é recolonizar o Sul Global”, disse. Ele defendeu a solidariedade e a cooperação com África, Ásia, América Latina e Caribe e citou iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade.

Yuki Iwamura/AP

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