Lula diz estar 'indignado' com operação militar dos EUA que derrocou Maduro na Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira estar "indignado com o que aconteceu na Venezuela", em referência à intervenção militar dos Estados Unidos no país caribenho que capturou o então líder do regime venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Nos dias seguintes, o governo de Donald Trump passou a respaldar a presidência da vice de Maduro, Delcy Rodríguez. O ex-ditador está preso em Nova York, onde responde à Justiça americana por suposto envolvimento com o narcotráfico.
— Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão num forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levam o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz — disse Lula durante discurso em Salvador.
O presidente falou a uma plateia de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) durante um evento do movimento social, próximo ao PT e simpático ao chavismo.
Logo no início do evento, com Lula no palco, militantes do MST leram uma carta que também condenava o "a agressão à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores (esposa de Maduro também capturada por militares americanos), foi uma mensagem atroz para os povos de todo o mundo, em especial de nossa América Latina. Seus interesses são os saques dos nossos bens comuns da natureza: petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas, mas também a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e da soberania dos povos", afirma o documento.
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela é amplamente classificada como ilegal por especialistas, entre outros motivos, porque não obteve o respaldo da Organização das Nações Unidas (ONU). Trump tampouco obteve o aval do Congresso americano para conduzir os bombardeios a Carecas, sob o argumento de que a informação poderia vazar.
O governo Lula tem condenado a ação militar americana no país vizinho e o presidente brasileiro tem articulado com demais chefes de Estado na América Latina uma defesa conjunta à soberania nacional dos países e à autodeterminação dos povos.
Apesar de já ter sido próximo de Maduro, a ponto de gravar um vídeo aos venezuelanos pedindo votos ao chavista, em 2013, Lula se distanciou do regime chavista nos últimos anos e o governador brasileiro não reconheceu a reeleição do venezuelano em 2024. A última eleição presidencial na Venezuela foi marcada por denúncias de fraude massiva cometida pelo regime de Maduro.
