Lula deve vetar PL da dosimetria em ato do 8 de Janeiro e base teme desgaste com Congresso

 

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O presidente Lula está disposto a vetar o PL da Dosimetria na próxima quinta-feira (08), na cerimônia que faz alusão aos três anos dos atos golpistas, mas a base governista torce para que ele desista da medida.

O veto já é certo, mas aliados temem que se ele for feito na cerimônia, que vai contar com as presenças de deputados e senadores, possa gerar mais um desgaste com o Congresso. Lula quer aproveitar o evento pelo simbolismo da data e dar recados aos bolsonaristas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, foi convidado, mas não vai comparecer, assim como no ano passado. A tendência é que Davi Alcolumbre, presidente do Senado, também não esteja presente. Segundo interlocutores, os dois tentam se distanciar da pauta que mais alimenta a polarização entre o PT e o PL.

As ausências podem favorecer um veto de Lula na própria quinta. Mas, o martelo será batido antes, em reunião com os ministros do núcleo duro do governo. Fontes afirmam que é preciso pesar o efeito do veto no dia da cerimônia.

Governistas já dão a derrubada do veto como certa na volta do recesso. O projeto reduz as penas dos condenados nos atos golpistas, antecipando também a progressão de regime, beneficiando o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o cientista político, Melilo Diniz, Lula precisa pesar os efeitos da decisão se quiser garantir governabilidade em ano eleitoral.

"Não tenho dúvida que a tendência maior é usar o dia 8 de janeiro para vetar integralmente o PL da Dosimetria, mas isso vai aumentar em muito as tensões com o Congresso Nacional e as tentações da oposição e do Centrão de fazer aprovar legislações cada vez mais difíceis de serem mantidas. Lula tem esta encruzilhada, mas tem ainda mais a necessidade de chegar até outubro de 2026 com algum grau de governabilidade", analisa.

Cerimônia terá discurso em defesa da democracia e da soberania

Assim como no no passado, a ideia da cerimônia é sair em defesa da democracia e os discursos serão na linha de que os ataques às sedes dos três Poderes não podem ser esquecidos. Aliados dizem que a conclusão do julgamento da trama golpista e os ataques dos Estados Unidos à Venezuela vão dar outro tom ao ato - que vai sair em defesa da soberania.

Todos os ministros do governo foram convocados por Lula. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, também foi convidado, mas ainda não confirmou presença.

Do lado de fora, a ordem é mobilizar apoiadores. Ao final da cerimônia, Lula deve descer a rampa. A missão será o primeiro teste de fogo do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que precisa colocar o povo nas ruas. No ano passado, Lula puxou a orelha do então ministro Marcio Macedo e reclamou do público pequeno na praça dos três Poderes.