Lula deve tentar conversar com Trump nos próximos dias sobre a Venezuela
O presidente Lula deve tentar conversar, nos próximos dias, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pode voltar a falar também com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Esses novos contatos estão sendo costurados pela diplomacia brasileira após a ação militar norte-americana em Caracas, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
O Planalto aguarda o retorno de Lula a Brasília, previsto para amanhã, para intensificar as negociações sobre a crise venezuelana. No sábado, dia dos ataques, o presidente já havia mantido uma breve conversa telefônica com Delcy Rodríguez, na qual manifestou preocupação com a operação dos Estados Unidos. Desde então, Lula também foi procurado pelos presidentes da França, Espanha e Colômbia para tratar da situação na América Latina.
A preocupação não é só dos países da América do Sul, mas também da Europa com a escalada das ações norte-americanas contra a Venezuela. Do lado da diplomacia brasileira, a ordem é se posicionar e reforçar o discurso condenando o ataque e em defesa da soberania dos países, principalmente latino-americanos. Mas a cautela é a palavra da vez.
Há um cuidado no tom adotado e nas palavras usadas. Nem o chanceler, por exemplo, Mauro Vieira, muito menos Lula, citaram diretamente Donald Trump, nem mesmo Nicolás Maduro. Primeiro, porque há um entendimento no governo de que o regime ditatorial de Maduro é realmente indefensável e que o governo quer defender, o que o governo quer defender, melhor dizendo, é a soberania e o multilateralismo.
E segundo, porque o foco é não estremecer a relação com Donald Trump, principalmente ainda na mesa de negociação com o governo norte-americano. Uma linha bastante tênue, é o que dizem alguns interlocutores do Itamaraty.
Guerra de narrativas entre esquerda x direita
No Brasil, o episódio também alimentou a disputa política e a guerra de narrativas entre direita e esquerda, sobretudo em ano eleitoral. O tema ganhou força nas redes sociais e passou a pautar o debate público. Parlamentares e lideranças da oposição associaram Lula ao chavismo, enquanto aliados do presidente reagiram. A ministra Gleisi Hoffmann classificou as críticas como “cinismo” e acusou adversários de explorar o episódio politicamente.
A controvérsia chegou à Justiça. O PT ingressou com uma ação contra o deputado Paulo Bilynskyj (PL), que publicou nas redes sociais um vídeo vinculando o partido ao narcotráfico internacional e afirmando que Maduro teria sido preso por tráfico que financiaria o PT.
Na ação, a sigla argumenta que o conteúdo explora uma tragédia para difundir fake news, ultrapassa os limites da liberdade de expressão e abusa da imunidade parlamentar. O partido pede a remoção do vídeo e a responsabilização civil do deputado.
