Lula deve privilegiar MDB do Norte e Nordeste e fortalecer aliança com Renan e Helder

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve concentrar sua articulação política com o MDB nas lideranças do Norte e Nordeste que apoiaram sua candidatura no segundo turno das eleições presidenciais. A estratégia para o quarto mandato prevê o fortalecimento dos vínculos com os setores emedebistas que contribuíram para sua vitória, enquanto dirigentes que se alinharam ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) tendem a enfrentar maiores dificuldades de aproximação com o Palácio do Planalto.

Segundo informações do Estadão/Broadcast, o senador Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, e o ex-governador do Pará Helder Barbalho, eleito para o Senado, deverão assumir posições centrais na interlocução entre Lula e o partido. Ambos integram a ala emedebista que manteve proximidade com o presidente durante a campanha eleitoral.

A movimentação sinaliza que o apoio recebido nas urnas será um dos critérios considerados pelo governo na reorganização de sua base parlamentar e na distribuição de espaços políticos. A intenção é fortalecer a relação com dirigentes que demonstraram compromisso com a continuidade da administração petista.

Durante o segundo turno, dez diretórios estaduais do MDB apoiaram Lula: Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. A adesão dessas estruturas partidárias reforçou a presença da campanha presidencial em estados nos quais o PT já contava com importantes alianças regionais.

Renan Filho e Helder Barbalho ganham protagonismo A escolha de Renan Filho e Helder Barbalho como possíveis interlocutores reflete a importância política dos dois dirigentes na estrutura nacional do MDB e sua relação com o governo federal.

Renan Filho comandou o Ministério dos Transportes durante o terceiro mandato de Lula, antes de retornar ao Senado. Sua passagem pela Esplanada dos Ministérios consolidou uma relação institucional com o presidente e ampliou sua participação nas negociações entre o Executivo e o Congresso.

Helder Barbalho, por sua vez, construiu uma relação de proximidade com o governo federal enquanto esteve à frente do Pará. Sua eleição para o Senado também amplia a presença de lideranças emedebistas do Norte nas articulações políticas em Brasília.

Os dois nomes aparecem como referências para uma aproximação que poderá influenciar tanto a composição ministerial quanto a organização da base governista no Legislativo. A estratégia representa ainda uma valorização dos diretórios regionais que contrariaram a posição de outros setores do MDB e decidiram participar diretamente da campanha pela reeleição de Lula.

Apoio a Flávio Bolsonaro dificulta relação com ala do MDB Enquanto busca fortalecer os vínculos com os emedebistas do Norte e Nordeste, Lula deverá manter maior distanciamento das lideranças do Sul e Sudeste que apoiaram Flávio Bolsonaro.

Entre os dirigentes que enfrentam resistência estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Ambos participaram da articulação que levou 17 diretórios partidários a endossar a candidatura do senador do PL.

De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a posição assumida por Nunes durante a disputa eleitoral agravou as dificuldades de diálogo com esse segmento do partido. O prefeito paulista questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prorrogação por duas horas da votação em urnas que ainda não haviam encerrado suas atividades.

A medida foi adotada após solicitação da campanha de Lula, embora a candidatura de Flávio Bolsonaro também tenha apresentado pedido de prorrogação. Nunes afirmou que a virada eleitoral do petista era “difícil de entender”, considerando os levantamentos que indicavam vantagem numérica para Flávio, ainda que dentro da margem de erro.

O prefeito também acusou Zanin de ter “mudou a regra do jogo”. As declarações foram consideradas especialmente duras em comparação com as manifestações de outros integrantes do Centrão e contribuíram para ampliar o desgaste político entre o prefeito e o entorno de Lula.

MDB teve papel importante no terceiro mandato A relação entre Lula e o MDB foi decisiva para a sustentação parlamentar do governo anterior, sobretudo em votações relacionadas à agenda econômica.

No início do terceiro mandato, o partido ocupava três ministérios: Planejamento e Orçamento, Cidades e Transportes. As pastas estavam sob responsabilidade de Simone Tebet, Jader Filho e Renan Filho, respectivamente.

Essa configuração foi modificada ao longo do governo. Tebet deixou o MDB e ingressou no PSB, enquanto Jader Filho e Renan Filho também encerraram suas passagens pelos respectivos ministérios.

A participação emedebista na administração federal, entretanto, não impediu que a legenda se dividisse durante a eleição presidencial de 2026. Na fase anterior à campanha, chegou a ser considerada a possibilidade de uma chapa formada por PT e MDB, com um representante emedebista na vice-presidência.

Helder Barbalho figurou entre os nomes mencionados nas articulações. Segundo a apuração do Estadão/Broadcast, porém, a hipótese não chegou a ser negociada concretamente com Lula.

O presidente antecipou a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice, encerrando as especulações sobre uma eventual substituição. Sem participação na chapa presidencial, o MDB decidiu permanecer neutro no primeiro turno.

A divisão interna se aprofundou depois da confirmação da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. Lula também busca aproximação com o PSD

A reorganização das alianças para o quarto mandato não deverá se limitar ao MDB. O presidente também pretende ampliar a interlocução com o PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab.

A avaliação de setores do governo é que a legenda poderá desempenhar papel relevante na construção de uma maioria parlamentar capaz de sustentar as principais propostas do Executivo. Nesse movimento, Lula pretende privilegiar negociações com as direções nacionais dos partidos, em vez de depender exclusivamente de acordos com bancadas ou grupos internos do Congresso.

O PSD passou por atritos com o campo bolsonarista, especialmente em São Paulo. Um dos episódios envolveu a articulação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que seu vice, Felício Ramuth, deixasse o PSD e ingressasse no MDB, preservando sua posição na chapa estadual.

A movimentação contrariou os interesses de Kassab, que pretendia disputar a vice-governadoria paulista com a perspectiva de assumir o governo em 2030 e buscar a reeleição. Posteriormente, Kassab integrou como candidato a vice a chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD).

Diferentemente de Caiado, não declarou apoio público a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Essa posição é considerada um fator favorável à retomada das conversas com o governo federal.

Lideranças petistas defendem uma aproximação com Kassab para ampliar a estabilidade política da próxima administração. A combinação das negociações com MDB e PSD indica que Lula pretende iniciar o quarto mandato com uma base parlamentar mais organizada, valorizando os setores partidários que participaram de sua vitória eleitoral e buscando incorporar novas forças à sustentação do governo.

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